O que cabe nessas palavras?

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(3 minutos – Rafael Martins) Estava eu estudando novamente O Livro dos Médiuns hoje. Eu dirigia* distraidamente e apreciava a clareza e lógica de Kardec por meio da versão em audio book da obra.

Na mensagem atribuível a Jesus de Nazaré, ouvia-se:

Crede, amai, compreendei as verdades que vos são reveladas; não mistureis o joio com o bom grão, os sistemas com as verdades.

Aí deu tela azul.

Comecei a pensar mais do que dirigir, e enquanto pensamentos novos passavam pela minha mente eu passava pra faixa da direita, a fim de não ser interrompido por uma buzina estridente.

Vejo atualmente muito gente no Movimento Espírita mais aguerrida com Sistemas do que com Verdades.

Faça você aí um experimento mental. Dura, no máximo, sete segundos.

Pense numa ofensa bem aviltante a alguma ideia de Direita ou de Esquerda, sendo ouvida por aquele seu conhecido espírita, defensor daquela ou desta última ideologia política, gerada neste fantástico e super evoluído Mundo de Provas e Expiações.**

Agora pense em alguma ofensa (na mesma intensidade) dirigida à prática da Caridade, virtude essa que, desconfio fortemente, seja uma verdade tão mais marcante, quanto mais evoluído é o lugar estudado.

Em qual dos dois ringues imaginários a pancadaria seria maior? Se preferir uma versão mais polida: em qual dos dois cenários seria mais crível uma defesa mais engajada, persistente e evidente?

Se eu fosse um espírito zombeteiro diria: “Irmãos, constrangei-vos a vós mesmos fitando, não por muito tempo, o Facebook.”

Pronto.

Tens aí um filtro infantil, mas bem eficaz, para identificar um indício se alguém é mais defensor de um Sistema ou de algo que, repito, acredito por questões igualmente infantis***, que integra a Verdade.

Com um detalhe.

Não vejo, necessariamente, um problema em ser mais entusiasta dos ideais canhotos ou destros do que ser espírita.

Ser espírita é mesmo muito mais complicado do que arrebanhar-se com um monte de gente que pensa igual e não quer tocar nas próprias feridas. Não sei se deu para sacar, mas uma reforma íntima de todos implica uma Esquerda e uma Direita que não se conhece hoje. Talvez algo ambidestro ou mais fraternal, se for para ser mais explícito.

Tudo é transição.****

O que mais não comporia tais “Sistemas”. Quais outras nuances permeiam tal Verdade?

O que proponho é simplesmente que cada um possa refletir se é inteligente, evolutivamente falando, gastar  mais energias com sistemas temporários do que tentar incutir a Verdade em todos os sistemas.

Deu tela azul?

Experimente-se.

*rodava pelo Eixão em Brasília. Se você estiver por trechos em que precisa ligar muito a seta, recomendo livros menos profundos.
**trata-se de um sarcasmo barato e preguiçoso de minha parte
***tentativa abusada de associar tal trecho com “deixai vir a mim as criancinhas”.
**** Como atentamente observou um amigo: “isso tudo é bem similar ao embate entre fundamentalistas religiosos espíritas (Espiritismo, o futuro das religiões) x laicos, progressistas, kardecianos, puristas, etc..

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