(3 minutos – Rafael Martins)

A efervescência desse mundão pode fazer colidir egoísmo com egoísmo numa escala medonhamente didática à humanidade. Falo aqui da questão das grandes migrações e a complexidade envolvida em como tratar milhares de refugiados. Talvez caiba arriscar uma sucinta análise espiritual dessa enorme treta terrena.

Começando pela extremidade mais dramática, se todo mundo disser “não” a todos que buscam acolhida, ninguém terá sossego dentro da própria consciência. A rigor, muitos podem até não perceber, mas é uma porta na cara de um irmão. A curto prazo, seria aquela sensação de paz dentro das próprias fronteiras, o que tenderia a ser rapidamente abalado pela ciência de um genocídio da indiferença, ou qualquer tragédia comparável.

Se poucos países disserem “sim”, estabelecendo naturalmente as condições para abrirem as portas, há grande chance de serem sobrecarregados a médio e longo prazo. Nesse caso, os que preferiram erguer muros de gelo e fogo teriam uma falsa impressão de que mandaram bem em optar pela política do “meu povo primeiro”, ou melhor, “somente o meu povo interessa”, ainda que exista mais gente nesse mesmo planeta. Só que em algum momento o panorama poderia descarrilhar para aquele cenário imaginado acima, o do genocídio da indiferença.

Ah, mas se todos disserem “sim”, ainda assim, haveria menos para todo mundo. Muitos palpitariam.

Pense nessa hipótese que a humanidade é comandada por Bons Samaritanos que decidiram acolher quantos fossem em sua casa.

Será que todo mundo ter menos para a ninguém faltar o mínimo não é o caminho para termos mais do que interessa?

Só sei que entre Porta Estreita e Porta Larga [1], teremos também que resolver a questão da Porta Fechada. Obviamente, por conta de implicações econômicas e sociológicas, trata-se de um problema bem mais enroscado do que as três Portas de Monty Hall [2]

Em todo o caso, ninguém gostaria de estar do lado da invisibilidade. E fingir que não viu é o melhor ticket para estar lá do outro lado ali na frente (numa outra vida).

As Leis Divinas podem aqui funcionar como uma porta giratória, na qual mais e mais espíritos vão nascendo de tudo quanto é lado, sorvendo todas as experiências, até aprendermos, nem que seja na marra, o que é vivenciar a fraternidade. [3]

Na prática, uma porta larga, desde que aberta, pode ser a porta estreita na acepção que importa.

 

[1] Falo aqui mensagem: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”. (Mateus 7.13-14)
[2] O problema de Monty Hall, também conhecido por paradoxo de Monty Hall é um problema matemático e paradoxo que surgiu a partir de um concurso televisivo dos Estados Unidos chamado Let’s Make a Deal, exibido na década de 1970.
O jogo consistia no seguinte: Monty Hall, o apresentador, apresentava três portas aos concorrentes. Atrás de uma delas estava um prêmio (um carro) e as outras duas dois bodes.
  1. Na 1.ª etapa o concorrente escolhe uma das três portas (que ainda não é aberta);
  2. Na 2.ª etapa, Monty abre uma das outras duas portas que o concorrente não escolheu, revelando que o carro não se encontra nessa porta e revelando um dos bodes;
  3. Na 3.ª etapa Monty pergunta ao concorrente se quer decidir permanecer com a porta que escolheu no início do jogo ou se ele pretende mudar para a outra porta que ainda está fechada para então a abrir. Agora, com duas portas apenas para escolher — pois uma delas já se viu, na 2.ª etapa, que não tinha o prêmio — e sabendo que o carro está atrás de uma das restantes duas, o concorrente tem que tomar a decisão.
  4. Qual é a estratégia mais lógica? Ficar com a porta escolhida inicialmente ou mudar de porta? Com qual das duas portas ainda fechadas o concorrente tem mais probabilidades de ganhar? Por quê?
[3] Uma experiência fantástica é a da jovem Nujeen, refugiada que fez o todo o rolé da agonia em cima de uma cadeira de rodas.

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