(4 minutos – Rafael Martins) Você só sabe quem é sereno na época da conturbação. Se a treta for imprevisível, aparentemente interminável e de grande escala tem aí um crivo afiado pra identificar as almas adeptas do Deboísmo ou as entregues ao Modo_Pistola de forma mais trágica do que cômica.

Ficar suave no Vale do Amanhecer não diz nada sobre seu temperamento. É que nem eu alegar que tenho os olhos verdes numa sala escura para alguém que me ouve, mas nunca me viu. É uma conversa sem razão de ser com rumo a um falso positivo. O problema é quando a pessoa é cega ou está apaixonada…

Certo. Mas o que podemos extrair do Espiritismo sobre essa vertente filosófica de definição jocosa, propícia como reação a psicosfera predominante e fertilizada em sua gênese por memes que viralizam impulsionados pelo humor?

Antes, a definição pelos supostos criadores (não vou me dar o trabalho de garimpar de quem foi o ineditismo disso efetivamente):

Uma corrente filosófica, onde a principal regra é “viver de boa com a vida”.

No entanto, os criadores desta “doutrina” alertam que não se deve confundir os princípios do deboísmo com a preguiça ou o comodismo. O objetivo é enfrentar e debater os problemas ou desafios, mas com respeito, calma e, acima de tudo, paz.

Também não é a paz do Joaquim Teixeira.

Eu consigo ver o Deboísmo como um atributo do Homem de Bem do Evangelho [HDB]. Aliás, esse tipo de associação marota, despretensiosa até ajuda o Homem de Bem a ficar mais palatável, menos senil, com voz de amigo e não de pregador bíblico de filme antigo.

Vejamos então o que o Evangelho Segundo o Espiritismo diz, na clareza de Kardec:

“Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele”.

Numa sentença dessa já se encontra um calibrador da extensão da estrada que separa a manada terrena desse status de Homem de Bem. Devia eu ter esperado as eleições acabarem? Creio que não. Seria hipocrisia intelectual escondida atrás de uma acomodação temporal covarde. Seria mesmo desonestidade minha incitar em nós um estágio uma filigrana mais perto do HDB, mas que fosse favorecido pela nossa memória curta.

“Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.”

E quando não tem benefício para ser lembrado ou nenhum que tenha sido encontrado, continua sem ódio e rancor. Se eu quase não vejo pessoas mudando de opinião quando se portam civilizadamente compartilhando argumentos concretos, menos ainda alguém que diga: “Ok. Você caprichou mais na ofensa e ainda falou mais alto. Estou convencido”. Então se não tem o que dizer. Não diga.

 “É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra destas palavras do Cristo: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”.

Fico imaginando o amontoado de pedregulho, matacão, rochedo grotesco que não estamos arremessando uns contra os outros. Mãos ásperas que depois vão ter que se aplainar. Quanto desperdício de energia…

Biologicamente, o processo de tomada de decisão orientado pelo medo é algo herdado do homem caçador-coletor. Há outras alternativas cerebrais, que, naturalmente, ocupam uma área mais nobre e menos primal. Mas dá muito mais trabalho esse caminho, embora muito mais vantagens.

Quer se postar sensatamente diante da espiral de números primos que afligem toda uma revoada de especialistas que eclipsaram a ignorância política nacional subitamente? Pense devagar. Siga a dica de Daniel Kahneman, que já citei inúmeras vezes por aqui. A dica é “pensar devagar” mesmo. Você que leu isso rápido e nem se atentou, já começou errado.

“Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.”

Imagina defender o seu candidato [ou a sua escolha aceitável] procurando e disseminando o lado positivo dele? Se não tiver um lado inteiro, que seja um sopro. Seria sensacional. Caso não consiga, silencie, medite numa vacuidade que pelo menos seja coerente com o Homo Sapiens que já não corre pelas savanas. Volte a se expressar se contornar essa limitação. Espalhar argumentos enfocando o pior do outro lado, mais contribui para o alastramento do terror que ninguém quer de antemão. É o bê a bá dos cursos de obsessão coletiva. Eu o fiz e meus colegas desencarnados devem estar de férias.

Em tempos de eleições é tentador demais empacotar todo mundo que pensa diferente numa caixinha qualquer, que seja tosca e longe da sua na prateleira terrena. Eu fico muito abismado em ser tão fácil alguém ser enquadrado como corrupto ou fascista simplesmente por uma única escolha. Imagina se lembrássemos de escolhas de outras vidas? Quantos atributos não daríamos ao Homem de Bem que não somos?

Conhece-se a árvore pelos frutos e não pelo pomar em que elas estão fincadas.

Eu vi bons frutos de amigos de ambos os lados dessa balança. Frutos esses que devem valer mais do que uma única e complexa decisão, a qual ainda depende de conhecimentos sobre: direito constitucional, direito penal, processo legislativo, economia, ciências políticas, história, filosofia, geopolítica, estatística, psicologia, sociologia, religião, memeologia e passado. Sim, nós temos esse presente de presente porque compartilhamos um passado comum em vários aspectos.

Além disso tudo, ainda tem a intenção do próximo e os outros temas que você não domina.  A pior escolha é nivelar eleitores aos escolhidos. Esse tipo de generalização consta ainda no módulo I do curso de obsessores.

Todo mundo já errou. Deus não comeu mosca e deixou justo você nesse país, nesse momento. Deus deixou você justamente na situação em que poderia evoluir. Se os sãos não precisam de médicos, adianta esbravejar nomes de doença pro acamado?

Pense melhor. Propague o mundo que deseja. Saía das cavernas e reflita com lucidez.

 

 

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