(2 minutos – Rafael Martins)

Uma vez, uma amiga de evangelização espírita compartilhou o que lembrava de uma homilia [1]. Em poucas palavras o padre chocou os ouvintes ao dizer algo mais ou menos assim:

“Que seus filhos tenham amigos preguiçosos aos 8 anos. Que aos 12, já andem com alcoólatras. Que aos 16, valorizem cada segundo junto de alguns drogados. Que aos 20, já longe de vocês pais, eles possam se aproximar da verdadeira dor. Sim, porque os sãos não precisam de médico e quem quer se aproximar de Jesus tem de buscar aliviar o próximo que mais sofre.”

Repare que nessas palavras o padre não deixou nenhuma dica sobre como se portariam nossos filhos diante de preguiçosos, bêbados e drogados. Essa é a questão. Eles estariam lá como exemplo do diferente, como paradigmas da mudança. Eu posso estar até mesmo na zona e dar minha contribuição para reduzir a zona, como fez Chico Xavier certa vez, orando dentro de um prostíbulo.

Ou como diria outro amigo [2]: “Se Jesus estivesse encarnado em Brasília, Ele estaria no Conic (região da capital conhecida por reunir os mesmos personagens problemáticos mencionados na missa) e ninguém o reconheceria.”

Dito isso, a você espírita, seria de fato uma atitude racional simplesmente retirar da sua lista de amigos alguém que votaria diferente de você?

Na premissa de que o seu voto é o correto, o menos pior, ou o melhor fundamentado, você perde a oportunidade de melhor compreender a ignorância alheia. Se ela é explicada por uma interpretação divergente sobre fontes comuns ou se tem relação com o completo desconhecimento de alguns fatos, conceitos ou ideias.  Logo, você poderia aprimorar a discussão com novas visões e informações.

E se não funcionar?

Mostre a outra face. A da tolerância [3], a do entendimento de que cada um tem seu tempo. Já imaginou se houvesse facebook um pouquinho antes de Hitler?

Já pensou se uma pequena parcela dos usuários alemães, que a história, tempos depois, mostraria estarem certos ante a tragédia que os rivais espalharam, tivessem um átimo da capacidade de argumentação, paciência e convencimento do “Jesus no Conic”?

Pois é.

Não deixe pra história uma evidência de imaturidade, excluindo quem pensa diferente de você. Quanto pior forem as visões “do outro lado”, mais ainda se justifica a sua tentativa de exposição de um naipe mais elevado de argumentos, ou, no mínimo, de melhor compreender o próximo.

Em tempos de coxinhas, petralhas, facadas, prisões e panelaços, talvez sejam as panelinhas ideológicas a mais patente evidência do porquê temos as opções que temos.

Todo mundo está se achando certo por motivos diferentes. Talvez estejam todos errados pelo mesmo motivo.

 

[1] Sim, no Espiritismo podemos e devemos aprender com todas as fontes.
[2] Esse outro amigo pensa completamente diferente da amiga que foi na missa, do ponto de vista político. Que bom que não exclui nenhum dos dois.
[3] Se quiser saber melhor como a Doutrina Espírita trata a questão da tolerância, veja as Questões 838 a 841 de O Livro dos Espíritos. Aos irresignados com a própria imaturidade é especialmente útil essa fonte.

 

 

 

 

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