(12 min – Rafael Martins – Artigo Publicado no Aephus 2018 – Associação Espírita de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais)

RESUMO

A Filosofia Espírita nos traz uma lente nova para nos debruçarmos sobre a análise dos problemas que afligem o mundo. Contudo, não se trata de tarefa trivial. Com feito, a obra inaugural da Doutrina Espírita já nos incita a saber conviver com a desigualdade do merecimento segundo os esclarecimentos contidos em O Livro dos Espíritos. Além disso, a mesma obra assenta em diversos pontos que o egoísmo figura como uma das causas principais para o nosso incipiente estado evolutivo. Frente a tal cenário, depreende-se como questionáveis ou mesmo ultrapassados tanto o modelo econômico envolto com o Socialismo – que não comportaria de forma proporcional o efeito da desigualdade dos talentos e esforços – tampouco o Capitalismo, que traz em seu cerne a premissa de que somos tão racionais quanto egoístas em nossas decisões. Em resposta a esse aparente vácuo de opções coerentes com a proposta Espírita, o presente artigo reuniu uma série de evidências contemporâneas envolvendo um ganhador do prêmio Nobel, um professor de Administração que quebrou paradigmas na Universidade de Wharton, modelos de negócios que têm revolucionado o status quo tão bem como publicações relacionadas. Tudo isso, sinalizando um conjunto de mudanças, as quais, simultaneamente, valorizam nossas desigualdades enquanto seres produtivos e únicos e também indicam um arrefecimento do modelo econômico calcado em um forte apelo egoísta. Como resultado, pode-se mencionar que as implicações da Economia Compartilhada, da Economia das Habilidades e do Capitalismo Consciente fornecem um conjunto de evidências melhor alinhadas com o teor dos ensinamentos trazidos por meio dos Espíritos Superiores que atuaram na Codificação.

 

 

INTRODUÇÃO

Em virtude do significativo alcance da Filosofia Espiritualista nomeada Doutrina Espírita, é comum seus adeptos empreenderem análises sobre a “visão do Espiritismo” no que concerne aos mais variados assuntos. Prova disso é a multiplicidade de publicações, palestras e congressos que abarcam direta ou indiretamente tópicos que vão da sexualidade à política, da psicologia à biologia, da física à sociologia.

Nessa esteira, o presente artigo procurará esclarecer como a Doutrina dos Espíritos amolda-se a temática dos modelos econômicos, precipuamente diante de recentes e impactantes mudanças observadas. Contudo, em vez de definir um pleno encapsulamento no socialismo ou no capitalismo, serão apresentados diversos argumentos que corroboram a tese de que os pressupostos do Espiritismo vêm se materializando nas modificações percebidas sobre o modelo predominante, no caso, o capitalismo.

Cabe antecipar que para fins de assegurar-se uma credibilidade doutrinária, opta-se por centrar as referências da Doutrina Espírita em O Livro dos Espíritos (OLE) e, subsidiariamente, em O Evangelho Segundo o Espiritismo (OESE). Desta forma, evita-se o risco de confundir uma mera opinião – seja de encarnado ou desencarnado, ainda que vinda de obras ditas complementares – com algo consolidado via Controle da Universalidade do Ensino dos Espíritos. [1]

Retomando, é imperioso frisar que a polaridade estabelecida entre os “espíritas capitalistas” e os “espíritas socialistas”, muito provavelmente seja explicada por conta de argumentos que, somente se sustentam diante de análises míopes e não especializadas, postura essa bem distante da abordagem que Allan Kardec propõe para a Doutrina Espírita em O que é o Espiritismo[2].

Com efeito, valendo-se do melhor referencial já encarnado que dispomos – segundo a resposta à pergunta 625 de OLE, KARDEC (2005, p. 297) – e dentro de um espectro interpretativo razoável, teríamos aparentemente pendendo para os ideias de livre mercado a Parábola dos Talentos e o oportuno ensinamento “a cada um segundo as suas obras”. Pelo reverso, valendo-se ainda de Jesus e encontraríamos mensagens supostamente alinhadas ao socialismo em: “Não se pode servir a Deus e a Mamom”, além da dificuldade que seria para um rico entrar no Reino do Céu.[3]

A polêmica parece ser reforçada quando postas frente a frente a resposta trazida à pergunta 806 de OLE com aquela constante para a pergunta 913, KARDEC (2005, p. 364, 404).

  1. É Lei da Natureza a desigualdade das condições sociais?

“Não; é obra do homem e não de Deus.”

  1. a) – Algum dia essa desigualdade desaparecerá?

“Eternas somente as Leis de Deus o são. Não vês que dia a dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento. (…)

  1. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?

“Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo o mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há o egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. (grifos nossos)

 

Face ao exposto, do primeiro quesito poder-se-ia extrair um atributo bastante recorrente nos espíritas defensores do capitalismo: a tão propalada meritocracia, especialmente, ao se cotejar a permanência da “desigualdade do merecimento”, o que tenderia a ser um forte incentivo para nossa diferenciação. Por outro lado, é farta na literatura econômica, a premissa do ser humano tão racional quanto egoísta, por exemplo, nos processos de tomada de decisão, particularmente dentro da temática da Teoria dos Jogos, Teoria dos Leilões, entre outras. Logo, desaparece, a priori, a possibilidade de se conciliar os ideias espíritas com alguma teoria que traga a postura egoísta – causa de todos os males – entre os seus pressupostos mais básicos.

Diante desse cenário que sinaliza, mesmo em rito sumário de cognição, a limitação que seria tentar enquadrar o Espiritismo em um ou outro polo, sobressai a necessidade de pensar de forma disruptiva, não linear e não enviesada somente em experiências passadas. É preciso pois uma mentalidade não acanhada para vislumbrar um encaixe dos princípios espíritas nas mudanças positivas que estão em curso, o que atestaria aderência com a Lei do Progresso e com a atualidade do Ensino dos Espíritos que atuaram na codificação.

Com esse propósito em mente, serão abordados conceitos e exemplos reais atinentes à Economia Compartilhada, Economia das Habilidades e Capitalismo Consciente confrontando-os com a essência do Espiritismo.

 

ECONOMIA COMPARTILHADA

Segundo CHASE (2015, p. 10-11) a Economia Compartilhada consiste em um tripé formado por pessoas, capacidade excedente e uma plataforma (geralmente uma solução de tecnologia). Uma releitura desses ingredientes a luz da Doutrina Espírita e ter-se-ia conceitos centrais vinculados a: Lei de Sociedade, Óbolo da Viúva e Lei do Trabalho. Um exemplo real ajuda nessa depreensão.

A própria autora alhures citada, traz a sua experiência empreendedora com a ZipCar[4]. Basicamente, uma negócio em que as pessoas compartilhavam seus próprios carros com outras pessoas durante o tempo, a princípio ocioso, que esses veículos estariam estacionados.          Para tanto, fez-se necessário um estudo comportamental dos potencias clientes, já que motoristas demasiadamente apegados – ou que privilegiassem Mamom – não seriam convencidos, ao menos nesta vida, das vantagens dessa proposta. Encontrando os de perfis mais flexíveis e solucionando desafios atinentes ao desenvolvimento de softwares e cálculo de seguros para múltiplos condutores, concretizou-se a empresa que: reduzia congestionamentos (aumentando o tempo das pessoas com suas famílias) e minorava a emissão de gases de efeito estufa, junto com uma miríade de externalidades positivas que essas vantagens carregam.

Tudo isso porque se sai de um estado mental de posse para acesso, de meu problema para problema da minha cidade, propiciando uma harmonia mais condizente com a Lei de Sociedade que se espera em um Mundo de Regeneração. Sob outro espeque, arrefece-se em certa medida o patamar de egoísmo então vigente, já que é preciso primeiramente dar um fim útil ao supérfluo antes de alcançar a condição espiritual da viúva que depositou tudo o que tinha no gazofilácio. No mais, esse modelo de negócio está umbilicalmente ligado a Lei do Trabalho, já que é preciso inovar em busca de novas oportunidades de monetização dos “excessos” que já conseguimos abrir mão. De outro modo, uma sociedade completamente materialista e apegada aos bens materiais não daria espaço a esse tipo de ideia empreendedora.

Ato contínuo, já não há contexto para se alegar ser a Economia Compartilhada um exemplo isolado e de pouco impacto. Basta observar as mudanças propiciadas por empresas como Uber, Airbnb, Bikesharing e My open closet, apenas para citar exemplos de grande e pequena escala, mas que mudaram a dinâmica dos setores em que atuam.

Se quando criança é vital ensinar a compartilhar os brinquedos, quando adulto – mas quem sabe infantil do ponto de vista espiritual – o mesmo ensinamento implicará menor consumismo e mais tempo para burilar nossa condição de seres espirituais em uma experiência carnal e não de seres carnais, vez ou outra sensibilizados por ocorrências do plano espiritual.

 

ECONOMIA DAS HABILIDADES

Sinteticamente, segundo conceitos trazidos pela cadeira de Futurismo[5], o homem inicialmente passou pelo Modelo Industrial, o qual é fortemente associado a produção em larga escala e foi brilhantemente criticado por Charles Chaplin. Logo em seguida, sobreveio com alguma superposição o Modelo de Plataforma, que diz respeito ao engajamento necessário para a viabilização da Economia Compartilhada. Finalmente, e de forma mais incipiente, já está presente o Modelo de Blockchain, que, em linhas gerais, tem potencial para provocar profundas mudanças ao revolucionar o aspecto de confiabilidade nas transações e de valorização das habilidades de cada indivíduo.

A consequência direta disso é uma descentralização acentuada de um poder que hoje concentra-se na mão de instituições bancárias, as quais, diga-se de passagem, estão vinculadas a muitos escândalos típicos de um Mundo de Provas e Expiações[6].

Além disso, o aparato tecnológico do Blockchain[7] facultaria que, por exemplo, portando apenas o próprio celular, todos os habitantes de uma cidade possam atuar como uber e/ou como motoristas de uber, dispensando uma plataforma centralizadora e o investimento massivo de capital a ela associado[8]. Ou seja, viabiliza-se a ideia de cada indivíduo como uma empresa.

Desta forma, tem-se um arranjo que favoreceria o convencimento em torno da vantajosidade da “desigualdade do merecimento” uma vez que haveria menos monopólios e um maior incentivo a cada indivíduo ser detentor de diversas habilidades. Tal cenário seria in totum aderente ao papel de protagonismo e de total responsabilidade apregoado pela Doutrina Espírita para a trajetória evolutiva de cada um, seja na ala moral ou intelectual.

Nesse ponto, impende compartilhar exemplos em alguma parcela contra-intuitivos e que são adstritos a Holocracia. Conforme ROBERTSON (2015, p.12) tal conceito estaria associado a  “uma nova forma de administrar uma empresa, o que se daria através da remoção do poder de uma estrutura hierárquica, substituindo-se por um sistema de distribuição da autoridade”.           Percebe-se que tal proposta depende no seu âmago de atores minimamente conscientes das próprias habilidades e capazes de sopesar o bem maior da empresa e dos demais colegas, e não somente os seus interesses individuais. Ou seja, é indispensável uma postura diferenciada dos espíritos encarnados insertos no mercado de trabalho para tornar viável a Holocracia. Isso porque, são os empregados quem escolhem os cargos que devem ocupar, em conformidade com os interesses de todos. Sob outro ponto de vista, não há o organograma tradicional estruturado segundo comando e controle.

Para robustecer a pertinência em se cotejar a Holocracia, é oportuno comentar que empresas com faturamento bilionário como a Zappos e a Morning Star – que atuam em nichos tão distantes como e-commerce e processamento/comercialização de tomates – já adotam tal desenho organizacional descentralizado, tendo mesmo se tornado referências nessa temática[9].

Outro efeito dessa descentralização e premência de reinvenção, pode ser constatada até mesmo no setor bancário ao se compulsar o trabalho de YUNUS (2007, n.p), ganhador do Nobel da Paz em 2006. Em epítome, enquanto o fluxo de capitais vigente privilegia o homem branco rico e envolvido em grandes investimentos, Yunus resolveu abrir uma nova frente de crédito: para mulheres pobres e sem envolvimento em projetos com uso intensivo de capital. Por isso, é considerado o pai do microcrédito – uma possibilidade de equalizar oportunidades a pessoas antes invisíveis nesse mundo materialista – dentro do melhor propósito do papel do homem inteligente e do homem rico neste planeta, conforme disciplinado em OESE quando discorrendo sobre os caracteres do homem de bem.

Tal é o efeito dessa revolução no fluxo de capitais – dessa vez olhando também para o pequeno diante de uma psicosfera de menor egoísmo – que só o banco conduzido pelo sobredito ganhador do prêmio Nobel já beneficiou 8,4 milhões de pessoas, 97% mulheres. No mais, há milhares de iniciativas semelhantes sendo replicadas pelo mundo.

Ainda no passo do que se ensina em diversas universidades sobre o Futurismo, segundo MATTOS (2017, n.p), o bilionário do futuro será o ser capaz de impactar positivamente na vida de um bilhão de pessoas e não mais aquele que atender a esse critério apenas sob a ótica financeira. Um exemplo concreto da entronização desse conceito pode ser encontrado na Singularity University que no seu programa de avaliação de candidatos utiliza justamente entre os critérios de admissão a capacidade das propostas dos pleiteantes de impactar na vida de ao menos 1/7 da população planetária dentro de temáticas relevantes, a exemplo de: suprimento de água, energia renováveis, fome no mundo, tecnologia disruptivas, entre outras.

Do exposto, verifica-se que a Economia das Habilidades é um conceito disseminado na cadeira de Futurismo e traz a capacidade de conferir maior poder ao indivíduo, além de poder infirmar setores oligopolistas ou monopolistas do mercado, precipuamente o setor bancário. Mais ainda, ressignifica o conceito de bilionário e materializa-se por meio de estruturas empresariais que dependem da evolução moral, além das competências técnicas de cada indivíduo.

 

CAPITALISMO CONSCIENTE

De plano, vale aqui assentar que segundo MACKEY (2013, n.p) o Capitalismo Consciente possui quatro pilares: i) propósito elevado; ii) liderança consciente; iii) cultura consciente, e; iv) orientação para stakeholders.

Dito isso, mostra-se possível associar tais pilares a objetivos insculpidos pela Doutrina dos Espíritos.

Por propósito elevado há de se entender a geração de um benefício ou de cunho social ou de cunho ambiental. A empresa deve necessariamente espelhar na sua missão a preocupação com o próximo e/ou com o planeta. Com isso, o simples fato de se incorporar no core business algo além da geração de lucros e do favorecimento dos acionistas, retrata um abrandamento na vertente do egoísmo para uma entidade imersa no mercado.

Um emblemático exemplo de capitalismo consciente é a empresa Whole Foods[10]. Apenas para se ter uma ideia do alcance dos efeitos dessa pretendida “consciência” para o capitalismo vigente, citam-se como benefícios concretizados por tal sociedade empresária: i) Whole Planet Foundation – programa de microcrédito de 300 dólares que incentiva o cultivo de alimentos saudáveis à população de baixa renda, sem contrato e com juros abaixo dos de mercado, o que já beneficiou 5 milhões de pessoas em 61 países; ii) Whole Trading – programa de certificação em escala mundial para acreditação de fazendas que empreguem produtos ambientalmente corretos; iii) criação do primeiro mercado de hortaliças suprido por fonte de energia solar, dispensando sacolas plásticas e com selo Platina de Sustentabilidade do Green Building, e; iv) Whole Kids Foudation – programa que incentiva a conscientização das crianças quanto a cuidar do planeta e estimular uma alimentação saudável.

Tudo isso, é forçoso dizer, compondo a história de uma empresa cuja gênese remonta ao movimento hippie (década de 70) e que superou períodos de intenso descrédito, mas, atualmente, tem capital aberto e possui valor de mercado de US$ 13,7 bilhões. Mais ainda, tal agente do mercado visa simultaneamente: manter seu propósito elevado dentro da sua missão – que é levar alimentação saudável para o mundo todo, pobres e ricos – mediante uma condição de sustentabilidade financeira, que vem a ser a já conhecida formação de lucros e distribuição de dividendos a seus acionistas.

O curioso detalhe é que já não se mostra vantajoso à empresa abrir mão do seu propósito elevado redirecionando os custos associados a seus acionistas na expectativa de aumento do valor de mercado. Isso porque a mentalidade dos investidores já carrega intrinsecamente um valor agregado à empresa em olhar para o próximo, para o planeta, observando nisso uma experiência de abnegação em alguma medida.

Os demais pilares do Capitalismo Consciente vêm primordialmente no sentido de garantir de que o propósito elevado seja mantido incólume. Não obstante, cumpre trazer aqui dois exemplos finais que atestam o progresso quando há e líderes e cultura conscientes, além de um envolvimento salutar dos stakeholders.

Nessa toada, revela-se promissor avaliar o perfil do melhor professor de uma das faculdades mais tradicionais do mundo, a qual carrega certa fama na formação dos “bilionários do passado[11]”- Wharton School.

GRANT (2013, p. 219-224) é bastante taxativo ao centrar sua tese na seguinte colocação: ser generoso – ou “doador” como ele nomeia – é o melhor caminho no mundo corporativo, inclusive quando se considera os tão cobiçados altos cargos executivos.

Esse entendimento desconstrói o pensamento ainda predominante de que os “tomadores” e os “compensadores” seriam os protagonistas no mundo empresarial. Entenda-se aqui que na terminologia empregada por tal pesquisador, “tomador” seria alguém egoísta 100% do tempo, ao passo que “compensador” seria aquele que sempre pagaria na mesma moeda – positivamente ou negativamente – mas ainda distante do “doador”, o qual opta por atitudes generosas independentemente do que encontre no colega de trabalho.

O mais interessante, entre as conclusões do inquinado docente, é que quando o “doador” atinge o alto escalão – presumindos-se aqui a competência técnica para tanto e não só a humana – isso se dá com maior credibilidade e perenidade por conta da trajetória de bons exemplos que os demais testemunharam. O bem feito atua como seu advogado.

A desconfiança e a instabilidade reside em particular nos “tomadores” que carregam a pecha de traiçoeiros e, por isso, se veem forçados a conviver em um ciclo vicioso que os afasta de uma postura moralmente mais evoluída.

Cabe assim coordenar as evidências trazidas até aqui no sentido de consolidar a propensão da formação dos “bilionários do futuro”, haja vista o perfil de maior generosidade, de maior consciência, suscitado desde a graduação. E isso, frise-se, contribui para a redução do egoísmo e orgulho que ainda prevalecem como já comentado na questão 806 de OLE.

Como derradeiro exemplo, traz-se o emprego da análise massiva de dados (Big Data e Aprendizado de Máquina) sendo utilizada como ferramental para atestar matematicamente que modelos cooperativos superam os modelos competitivos em termos de resultados gerais. Esse é o resultado da pesquisa com dados experimentados conduzida por Alex Pentland[12].

Destarte, há elementos de convicção para sobrepujar o outrora “racional e egoísta” pelo “racional e cooperativista” segundo a farta pesquisa do estudioso citado.

CONCLUSÃO

O presente artigo buscou trazer elementos pautados em casos reais a fim de superar ensejos acanhados de encapsulamento da Doutrina Espírita seja no Capitalismo, seja no Socialismo. Muito mais proporcional ao objetivo maior da espiritualidade com os ensinamentos compartilhados é observar nas quebras de paradigmas em curso, razões para atestar a confirmação da Lei do Progresso, Lei do Trabalho, Lei de Sociedade e redução do egoísmo, causa de todas as mazelas.

Nessa toada, foram trazidos conceitos e exemplos da Economia Compartilhada, Economia das Habilidades e Capitalismo Consciente no sentido de redirecionar a atenção do espírita ao que mais interessa, ao que busca mudanças para proporcionar melhorias efetivas e compatíveis com o Mundo de Regeneração.

Em todo o caso, é indispensável gizar, não há lógica em se criar expectativas positivas com novos, e, muito menos com velhos modelos econômicos se não atacada a origem do problema, qual seja o egoísmo. Nesse combate reside a verdadeira disrupção, a mais significativa postura exponencial, o mais valioso atavismo a ser quebrado. Qualquer sinalização da redução do egoísmo em modelos econômicos merecem a atenção da Doutrina Espírita.

Notas de rodapé
[1] A hierarquia completa das ideias espíritas entre CUEE, ciência e opiniões está melhor detalhada no link – https://ignoranciadiversificada.com/2018/03/23/hierarquia-das-ideias-espiritas/
[2] Vide notadamente o tópico “Oposição da Ciência” constante no Capítulo 1 da aludida obra
[3] Ensinamentos esses que podem ser encontrados em sua íntegra em: Mateus 25, 14-30, Mateus 16-27, Mateus 6-24 e Mateus 19: 22-24, respectivamente. Todos essas passagens evangélicas também são abordadas a luz da Doutrina Espíritas em OESE.
[4]Maiores detalhes podem ser encontrados nessa palestra do TED Talk: https://www.ted.com/talks/robin_chase_excuse_me_may_i_rent_your_car?language=pt-br
[5] Conceito que, segundo Tiago Mattos pode ser definido como: “Futurismo é a disciplina que se propõe a imaginar cenários futuros, num tempo pós-emergente, sob forte influência do pensamento científico (e recolhendo evidências na própria ciência, tecnologia e empreendedorismo/mundo dos negócios) com três grandes intenções: explorar possibilidades distantes da nossa realidade, traduzir estas abstrações para o grande público de maneira empática – ajudando, assim, a sociedade a tomar melhores decisões no presente”. Maiores detalhes no curso Friends of Tomorrow da Perestroika.
[6] Exemplos tão emblematicos quanto convincentes podem ser encontrados em matérias sobre o caso de corrupção do HSBC e sobre a crise do subprime americano: http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2018/02/serie-documental-da-netflix-escancara-crimes-do-hsbc e https://vimeo.com/39018226, respectivamente
[7] Para melhor compreender o impacto potencial dessa tecnologia sobre o setor bancário: https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2018/02/como-o-blockchain-pode-revolucionar-os-bancos.html
[8] O desenvolvimento dessa possibilidade pode ser evidenciado em: Blockchain Info: https://blockchain.info/ Smart Contracts: https://smartcontract.com/ Arcade City: https://arcade.city/ RSK : http://www.rsk.co/ Ethereum : https://www.ethereum.org/ Aplicações Ethereum: http://dapps.ethercasts.com/
[9] Maiores detalhes sobre tal proposta podem ser encontradas aqui: https://www.valor.com.br/carreira/5187225/o-que-aprender-com-zappos-e-holocracia e https://www.youtube.com/watch?v=qqUBdX1d3ok&t=55s
[10] O documentário que descreve com maiores detalhes a trajetória dessa empresa consta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AQraMrwThac
[11] Um exemplo oportuno que confirma a necessidade de “bilionários do futuro” é saber que o atual presidente dos Estados Unidos foi um dos estudantes dessa universidade que compõe a Ivy League – liga das melhores universidade americanas
[12] Pesquisador esse que compartilha vasto material em seu site na internet: http://socialphysics.media.mit.edu/

REFERÊNCIAIS

CHASE, R. Peers Inc: How People and Platforms are Inventing the Collaborative Economy and Reinventing Capitalism. London: Headline Publishing Group, 2015.

GRANT, A. Dar e Receber: Uma Abordagem Revolucionário sobre sucesso, generosidade e influência. Rio de Janeiro: Sextante. 2013

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos: princípios da Doutrina Espírita. Trad. de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

MACKEY, J. Conscius Capitalism: liberating the heroic spirit of business. Boston: Harvard Business Review Press, 2013. Não paginada

MATTOS, T. Vai lá e Faz: Como empreender na Era Digital e tirar ideias do papel. Caxias do Sul: Belas Letras, 2017. Não paginada

ROBERTSON, Brian J. Holacracy: the new management system for a rapidly changing world. New York, 2015

YUNUS, M. Banker to the Poor: micro-lending and the battle against the world poverty. New York: Public Affairs, 2007. Não paginada

 

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