(3 minutos) Rafael Martins

Não tem jeito. Ainda são necessários desabamentos midiáticos como os dessa semana para um importante ramo da engenharia ter uma chance de ser posto no seu devido lugar. É quase como se fosse uma arma alienígena, que só desperta o interesse depois que alguém testemunha seu “poder de fogo”.

Engenharia Diagnóstica, se negligenciada, pode metralhar seus planos.

De fato, depois de uma laje que poupou vidas caindo domingo cedinho e após um pedaço do Eixão cair (nunca pensei que fosse escrever algo assim sem ser alguma metáfora) é que a relegada “engenharia de obra pronta” alça o patamar de “serviços técnicos especializados que salvam vidas”.

Como é de praxe. Milhares de curiosos, técnicos ou não, aparecem com opinões e colaboram pra disseminar visualmente o impacto do ocorrido. Faz parte e é até meio estranho ficar indiferente a esse dominó estrutural caindo pela capital. Inclusive, já circula pelo sempre eficiente Whatsapp quais seriam as candidatas a próximas peças desse arranjo de guilhotinas de concreto armado (laudo do TCDF).

Contudo, a maior discussão é a que se volta ao futuro. Afinal, em qualquer ramo o ser humano sempre dá um jeito de aprender – cedo ou tarde – com as tragédias. Em reação ao ocorrido, serão oxigenadas as discussões em torno da Norma de Inspeção Predial e do projeto de lei federal (6014/2013) sobre o mesmo assunto.

Em outras cidades, evidenciando como é constrangedor nosso processo de aprendizado, já circulam legislações afetas a esse tipo de serviço, quase sempre fruto de desabamentos, mortes, explosões. Parece mesmo uma guerra, não é? Exemplo disso:

–Lei 9913/2012 (Município de Fortaleza)

–Lei 6400/2013 (Estado do Rio de Janeiro)

–Bauru: Lei 4444;

– Jundiaí: Lei Complementares nº 261 e 278;

– Ribeirão Preto: Lei Complementar 1.669;

–Santos: Lei Complementar 441;

–São Vicente: Lei 2854-A.

Até mesmo os cursos de engenharia ainda pouco contribuem para alterar a atual mentalidade. Na faculdade, é muito comum que 99% das matérias tentem ensinar a fazer o certo. Só que os profissionais erram muito mais que esse 1%. Essa conta não fecha. E isso é agravado pelas usuais reformas de seis ou sete dígitos das fachadas que passam a frente da Inspeção Predial, a qual nunca passa de cinco dígitos.

Eu me deleito mesmo é com o transtorno psicológico dos moradores quando voltarem a estacionar seus carros lá na 210 norte. Desculpa, mas quem trabalha com perícias se nutre do caos. Como ninguém morreu nesse evento, tenho mais espaço pra esse tipo de comentário.

Todo dia vai ser aquela olhadinha para cima. O menor problema já será uma taquicardia, uma apressada de segundos pra sair logo dali, tal qual a criança com medo do escuro apagando as luzes na cadência exata dos seus passos de volta a cama. Se fosse pra monetizar, quantos dígitos teria essa sensação diária?

Vale lembrar que se cuidassem da manutenção da estrutura do prédio como cuidaram dos seus veículos não teriam que engrossar a pauta com seus terapeutas.

É bom enfatizar. Inspeção Predial é o exame clínico da edificação. É o produto que assinalará se seu prédio está com um “resfriado” ou já a caminho de uma metástase. Agora, sem inspeção, sem Engenharia Diagnóstica, a morte vem mesmo pelo susto.

O IBAPE-SP tem uma cartilha que ilustra bem o que é pra ter nesse exame técnico. Veja aqui mais sobre isso e não postergue a sua visitinha ao médico.

Síndico, se você é tão esperto quanto deveria sabe da sua responsabilidade. Não se acomode com as respostas como “isso é acomodação da estrutura”. Nem sempre o é. As vezes um piso vai se acomodar no que vem logo abaixo dele…

Afinal, cai concreto, sobe mentalidade. Ou seria o medo mesmo?

 

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