(4! minutos)* Rafael Martins

Somos ignorantes demais no assunto da Sexualidade para fecharmos pareceres conclusivos. Em todo o caso, o progresso do nosso entendimento se faz por meio de estudo, observação, debate, silêncio, reflexão, compreensão, vivência, além do esforço pessoal e intransferível. E vai tempo nisso…

Esse é o primeiro ponto a ser enfatizado. O segundo é que você precisará de paciência, já que esse é o maior post da história deste blog. Impus explicitamente um filtro natural para os preguiçosos. O tema é tão delicado quanto complexo.

Compartilhando esclarecimentos de O Livro dos Espíritos, dos espíritos Emmanuel, Joanna de Ângelis, André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda, Cairbar Schutel, e também dos autores, José Herculano Pires, Alírio Cerqueira, Rodolfo Calligaris, Alexandre Perez e Andrei Moreira, da sexóloga Laura Muller (a tia do sorrisão que vive no Altas Horas respondendo pergunta de um amigo do amigo) e, porque não, uns comentários do ignorante que vos escreve, buscarei clarear melhor o que não sabemos sobre o assunto da Homossexualidade. Tentarei também expor o que a gente acha que já sabe.

Comecemos pelo começo. Obras Básicas. Leis Morais. Lei de Reprodução.

A Reprodução foi alçada ao status de Lei Divina segunda a lógica de O Livro dos Espíritos (OLE). Logo, numa interpretação direta e baseada na resposta à pergunta 614 de OLE , afastar-se da Reprodução seria um motivo de infelicidade.

Será que eu poderia acabar o texto aqui? Em outras palavras, lendo o índice de OLE (onde consta a palavra “Lei” ao lado da palavra “Reprodução) e uma única resposta, estariam esgotadas as análises sobre o tema da homossexualidade – não tratado diretamente nas Obras Básicas?

Poder eu até poderia, mas não me convém, até porque seria um estudo muito raso, no que me alinho com a posição da palestrante Mayse Braga. Então, segure a sua ansiedade, anestesie no que puder seus vieses e siga a leitura. Não force o garimpo precoce do meu ponto de vista. O mais importante é o nosso crescimento e instrução, já que a reforma é íntima, não é mesmo?

Ainda no curso da fonte mais segura, vemos o seguinte na pergunta 694 de OLE:

694: Que se deve pensar dos usos, cujo efeito consiste em obstar a reprodução, para satisfação da sensualidade?

Antes da resposta. E aí? Quem se encaixa nessa instigante pergunta do Codificador?

Homossexuais? Será que “usos” valeria também para “orientação sexual”. Afinal, homossexuais, mais eficientemente do que qualquer método contraceptivo, obstam a reprodução. E, em sendo seres humanos, como quaisquer outros, inundáveis por hormônios, também tendem a buscar a “satisfação da sensualidade”.  Ou não? Ainda que Kardec não tenha montado a pergunta pensando nisso, será que caberia tal interpretação? Por que não?

E os heterossexuais? Sexo anal também é bastante eficiente em obstar a reprodução. É uma questão tão geométrica quanto biológica. Sexo oral, pílulas, camisinhas, etc. Tudo visa obstar a reprodução para que possa se gozar sem procriar. Ou não? Além disso, qual a influência do sentimento que se tenha pelo parceiro frente a tal pergunta?

A resposta dos espíritos envolvidos com a 3a Revelação:

Resposta Q. 694 “Isso só mostra a predominância do corpo sobre a alma e o quanto o homem é material.”

Maiores detalhes dessa resposta de duas linhas na ótica do Espírito Miramez você encontra aqui (Filosofia Espírita – é o Livro dos Espíritos comentado).

Predominância, matematicamente falando, indica que estamos, segundo a resposta prestada, mais perto do ponto de partida do que do ponto de chegada nesse tema. Acredito que isso faça sentido para um Mundo que, pela sua classificação como Provas e Expiações, também está mais próximo do primal do que da angelitude.

Essa nossa prevalência do material é corroborada também quando nos deparamos com obras literárias de especialistas do Sexo, forjadas estritamente ainda sob um viés carnal. Exemplo disso é que se um ET lesse de cabo a rabo “Sexo para adultos” da sexóloga Laura Muller, não conseguiria jamais depreender que se pode fazer sexo sem camisinha quando se busca a reprodução. A explicação é que os profissionais dessa área, por conta da nossa postura hedonista com a sexualidade, focam a tal ponto a manutenção da saúde, que a Lei de Reprodução acaba sendo tratada como “Ih! Engravidei? e Agora?”. Nada além disso.

Seguindo…

Agora pense por alguns segundos qual o percentual das relações sexuais de toda a humanidade terrena encarnada (para sermos conservadores) que não obsta a reprodução para a satisfação da sensualidade. E teria algum outro fim nesse obstar que não fosse atender a libido? Veja que há duas condições a serem simultaneamente cumpridas na pergunta de Kardec.

Essa é uma métrica estimada da nossa involução sobre sublimação da energia sexual, ou uso ideal de tal recurso. É como se fôssemos crianças com ábacos querendo falar de cálculo diferencial. Haverá choros e ranger de dentes, ou só birra mesmo. Talvez o mais importante seja a percepção de que “patamar evolutivo” diz respeito a heterossexuais e homossexuais.

Há, contudo, uma sutileza na estruturação lógica da questão aventada por Kardec que fica mais facilmente apreensível por meio de comentários de Rodolfo Calligaris (As Leis Morais, página 70).

Em tal obra, o autor esclarece que os obstáculos impostos à reprodução envoltos com o planejamento familiar não se encaixariam na resposta acima, já que o objetivo visado não seria somente “satisfazer a sensualidade”. Entendo que tal ressalva é lógica e razoável já que mais vale cumprir com a função de bons pais de 2 filhos do que colocar no mundo uma ninhada de espíritos que ficarão desamparados e revoltados com os dois pais que os colocaram no mundo.

Apesar dessa ressalva, convenhamos que o percentual que você pensou acima foi bem pouco impactado. Afinal, qual a proporção de camisinhas no mundo que são compradas/utilizadas por pais que já compuseram o tamanho entendido como ideal para as suas famílias? Talvez o constrangimento seja o método mais didático para nos darmos conta de onde estamos nessa escalada evolutiva.

Para encerrar essa introdução, veja o que Joanna de Ângelis (Após a tempestade – cap. 6, p. 37), ao tratar da homossexualidade e da Lei de Reprodução, comenta:

Santuário de procriação, fonte de nobres emulações e instrumento de renovação pela permuta de estímulos hormonais, a sexualidade tem sofrido a agressão apocalíptica dos momentos transitórios da regeneração espiritual que se opera no planeta.”

Veja que a Mentora de Divaldo Pereira Franco não julga nada nem ninguém e traz três objetivos da sexualidade grifados na transcrição acima. No limite (sem entrar na polêmica de todos os possíveis sentidos para a palavra “renovação”), casais homossexuais que se respeitem podem atender dois desses três propósitos, ao passo que casais heterossexuais que se respeitem podem atender os três. Podem. Ou seja, é possibilidade e não algo determinístico. Usando o mesmo ábaco da matemática infantil citado antes, já conseguimos cogitar que é plenamente possível ser homossexual e progredir mais do que um heterossexual dentro do campo específico da sexualidade. Afinal, seriam até três objetivos a serem em maior ou menor grau buscados por todos nós. Tudo depende da intenção do casal.

Feita essa aterrisagem na área mais próxima da nossa real ignorância, do nosso estágio evolutivo, passemos a expor as causas da homossexualidade segundo obras espíritas.

O Espírito de Manoel Philomeno de Miranda (1876-1942 – Loucura e obsessão, cap. 6, p. 75) trata a homosexualidade como provação, alertando que “a persistência no desequilíbrio remeterá o ser compulsoriamente à expiação, mutiladora ou alienante“.

Já José Herculano Pires, escritor espírita (1914-1979), discorrendo sobre homossexualismo adquirido (Mediunidade: vida e comunicação, p. 60): (Nota minha: à época, ter atração sexual por alguém do mesmo sexo ainda era tido como doença ou distúrbio por muitas Associações Médicas de respeito. Isso explica o sufixo “ismo”. Depois, com a evolução do entendimento médico terreno, substitui-se homossexualismo por homossexualidade. Mais recentemente, segundo inclusive decisão do STF, emprega-se o termo homoafetividade).

A maioria desses casos, senão todos, provêm de atuação obsessiva de entidades animalescas, entregues a instintos inferiores. Mas a responsabilidade não é só dessas entidades, é também das vítimas que, de uma forma ou de outra, se deixaram dominar pelos primeiros impulsos obsessivos ou até mesmo provocaram a aproximação das entidades.”

Se encarnados, tais autores teriam 141 e 103 anos, respectivamente.  Isso é importante de ser lembrado porque, certamente, houve uma decisiva influência do meio que impactou no posicionamento desses escritores, que, por sua vez, se valeram de um linguajar mais incisivo.

Isso fica mais nítido quando, por exemplo, Herculano Pires, parece fazer um esforço muito grande para não generalizar de forma açodada a causa da homossexualidade. De outro modo, o termo “senão todos” deixou escapar uma pesada tinta pessoal. A rigor, tal termo seria dispensável na obra do filósofo.

Outro ponto que merece realce é que o termo “persistência” – utilizado por Manoel Philomeno – implica uma luta diante de algo transitório. Mais pra frente analisaremos isso melhor. Seria o homossexual alguém teimoso no rumo da porta larga?

Retomando, trazendo um contraponto a essa causação da homossexualidade centrada na influência espiritual conforme visão exposta por Herculano Pires, compartilho que, na obra organizada por Alírio Cerqueira (Sexualidade e Saúde Espiritual, página 56), o espírito de Honório arremata que a sexualidade bem vivida em casos de homossexualidade não é depravação por si só, mas sim uma expiação, que também leva em conta os preconceitos da sociedade. A depravação, pelo foco na deturpação do respeito e interesse no hedonismo, é o que tal espírito chama de sexualismo. Tal perturbação é presente em quaisquer orientações sexuais – sob os nomes de heterossexualismo e homossexualismo. Ou seja, do ponto de vista espiritual deste espírito a promiscuidade é uma doença, independente da sua orientação. Por isso, em sua terminologia retoma-se o uso do sufixo “ismo”.

Alegoricamente, seria como o Suplício de Tântalo (rei lendário da Ásia Menor):

“Condenado a sofrer sede perpétua no Tártaro (prisão infernal para expiação depois da morte, dos homens ímpios) – a água o rodeava por todos os lados, mas refluía dele toda a vez que tentava bebê-la; sobre a sua cabeça pendiam galhos de frutas, que se contraíam quando ele estendia a mão para apanhá-las. Isto era interpretado no sentido de que quem morre cheio de desejos sensuais de qualquer espécie, depois da morte se sente ainda cheio desses mesmos desejos, mas impossibilitado de satisfazê-los.” (Espiritismo e Genética de Eurípedes Kuhl).

Pelo exposto, de certo modo é até plausível que, à época em que homossexualidade era doença para a comunidade médica e científica, alguns autores espíritas tenham enquadrado tal questão precipuamente como uma patologia espiritual (obsessão em maior ou menor grau). Algo similar ao que ocorre hoje para alguns casos de depressão.

Só que Espiritismo evolui com a Ciência obrigatoriamente, de modo que se forçou um maior aprofundamento do tema quando a atração homoafetiva deixou de ser entabulada como uma doença. Ou seja, não é que se rechaçou a hipótese aventada principalmente por Herculano Pires de influenciação espiritual. Talvez ele até mantivesse o posicionamento valendo-se de termos mais amenos ou alterasse radicalmente sua tese. Até porque Andrei Moreira (da Associação Médica Espírita-MG – Homossexualidade sob a ótica do Espírito Imortal) explica que há experiências homossexuais geradas em circunstâncias particulares por pessoas que não necessariamente são homossexuais, como em acampamentos prolongados em situações de guerras… qual seria a causa nesse caso sob a ótica espiritual? Um obsessor provavelmente só conseguiria sintonia com uma mente já tarimbada na promiscuidade…

Por conta da ciência, outras possíveis causas precisariam ser investigadas por todos nós.

Nesse ponto, apresento comentários de mais recente “jurisprudência” do movimento espírita.

O guia de Chico Xavier (Emmanuel – Vida e Sexo, cap. 21, p. 82 e 83) diz:

“O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins.”

André Luiz em Ação e Reação, cap. 15, p. 209:

“Em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe o direito e cometendo abusos em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se, ele próprio, a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo aprenda a venerar na mulher sua companheira e irmã, filha e mãe, diante de Deus, ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à delinquência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro, requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor.”

Com Emmanuel e André Luiz vemos algo completamente aderente a Lei de Causa e Efeito. Destarte, é bem complicado de se refutar tal causação. Mais que isso, se você já viu um único filme, série ou qualquer coisa que fale de qualquer período da história da humanidade vai conseguir concluir sozinho que essa deve ser a fonte mais fecunda dos casos de homossexualidade. Lembra lá do nosso estágio evolutivo? Bacanais integram o nosso passado, presente e ainda algum pedaço de futuro.

Pelo Espiritismo, que nos convoca a uma postura conservadora – fomos piores no passado – temos assim um contundente convite à reflexão, já que os dois escritores espirituais também comentam sobre o propósito da incompatibilidade morfológica com a orientação sexual. A Doutrina não se coadunaria com a vivência desse desafio sem incentivar que o espírito pare para pensar: por que eu passo por isso?

Na esteira dessa reflexão e dos inconvenientes da generalização, trago a posição do Apóstolo de Matão, Cairbar Schutel (Livro – Cairbar Responde, página 136), também conhecido como bandeirante do Espiritismo por ter realizado o primeiro programa espírita pelo Rádio.

Quando questionado “se os indivíduos que apresentam tendências homossexuais desde crianças devem reprimir essas tendências a todo custo; se essa repressão pode vir a provocar neuroses; se seria preferível dar vazão à sua homossexualidade”, assim esclareceu:

“A sexualidade foi criada pelas forças de Deus para a procriação somente.” [Perceba que tal posição é centrada na Lei de Reprodução e é menos ampla do que os três pontos trazidos por Joanna de Angelis] (…).

“Através dos séculos, os homens vão usando a sexualidade só pra o prazer, sem se preocuparem com a reprodução [lembra da pergunta 694 de OLE?]. Ao usar o sexo só para o prazer, o caso será sempre individual, à medida que você, como ser individual, sente que aquilo precisa ser transformado em você. Então você dirá assim: ‘Mas se eu posso mudar esta minha visão das coisas, do prazer sexual, em prazer de trabalho, em prazer de conviver com os outros, se eu posso fazer isso, por que eu vou fazer um prazer físico somente?‘ Então você observa nesses degraus todos, não se tem uma medida generalista, só se tem uma medida individualista. Se você traz em si a marca da homossexualidade, seja masculina, feminina, ou qualquer forma de homossexualidade, você deverá perguntar a si mesmo se aquilo é apenas uma necessidade de prazer, e então você terá uma necessidade tão contínua quanto seja a sua, ainda, ligação com as forças mais físicas, ou você dirá para você mesmo: ‘Isso já esta começando a ser modificado em mim, já esta começando a ser observado de um outro jeito’.”

Em resumo, cada caso é um caso. Cairbar traz no seu jeito prático (o livro trata da transcrição de diálogos ocorridos em sessões mediúnicas de psicofonia, o que explica a estrutura da linguagem acima) a questão que a sublimação é algo que será enfrentado, mas cada um a seu tempo. Não incentivou qualquer repressão, mas chamou atenção para uma oportunidade singular de se conhecer melhor, saber melhor dos tipos de prazeres que sua alma já consegue alcançar.

Sigamos agora para uma terceira fonte de causação da homossexualidade (já falamos sobre obsessão e expiação).

Emmanuel (mesma obra já citada) diz:

Em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, rogam dos instrutores da Vida maior que os assistem à própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem.”

André Luiz, também compartilhou entendimento alinhado a este ao expor lição do instrutor Silas (Sexo e Destino, cap. IX, p. 273):

“Inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam.

O crivo para saber se é ou não o seu caso é, primeiramente, identificar qual a coletividade que você tem impactado positivamente. Além disso, a lógica dos autores nos induz a concluir que os espíritos – mais evoluídos – em tais situações conseguem, não com pouco esforço, redirecionar a energia sexual para os agrupamentos humanos em vez de um parceiro somente. Até porque é meio complicado (para qualquer tipo de orientação sexual) compatibilizar família com fraternidade universal numa mesma vida. Por essas e outras, entende-se que tal situação não seja a predominante, ainda que Emmanuel tenha dito “em muitos outros casos” [recorde que estamos num Mundo de Provas e Expiações]. Acaba que esse caminho de requisitar determinada roupagem para ficar meio encabulado e olhar pra lado certo, olhar pro trabalho maior, caracteriza-se por um tipo de dopping lícito espiritual.

Do contrário, caso fossem ainda mais evoluídos dispensar-se-ia tal estratégia: “manda qualquer roupagem. Homem, mulher, tanto faz. Estarei focado no trabalho. “Só que cogitar desse tipo de abordagem aqui na Terra para uma energia tão potente como a energia sexual não é lá muito calibrado.

Talvez fique mais fácil apreender o nível de esforço exigível com essa sublimação ao se recordar que Francisco de Assis, que não precisou recorrer a tal inversão para se impor “duras disciplinas”, chegou a sufocar sua libido com espinhos na própria genitália para não substituir sua tarefa em prol do resgate do Cristianismo pela união junto a irmã Clara.

Até aqui então, vimos onde estamos evolutivamente no que tange à sexualidade e causas prováveis [já que não consegui refutar] da homossexualidade pela obsessão [1], pelas bagunças que aprontamos no passado [2] e pelo desafio diante de trabalhos em favor da coletividade [3].

Passemos agora a abordar outros temas correlatos que julgo interessantes pra quem já chegou até aqui na leitura. Segundo filtro ativado. Cada um é ignorante na proporção dos esforços que não faz…

Falemos sobre o eventual planejamento da reencarnação com tendências homossexuais e ainda sobre o estado supostamente transitório dessa orientação sexual.

Cairbar Schutel assim se posiciona quando interpelado sobre se a “homossexualidade é uma característica planejada para um indivíduo antes dele encarnar”(Cairbar Responde, página. 193).

“Não. Toda a forma de homossexualidade, toda ela, tanto a feminina quanto a masculina indica um estado de alma, do espírito reencarnado. Ele não planeja, aquilo é do espírito dele. Aquilo não é planejado, ele não renasce homossexual feminino nem renasce homossexual masculino, ele é. Ele não planeja, aquilo é um estado de espírito.”

Olha aí o estado transitório [lembre que Manoel Philomeno de Miranda diz que insistir por muito tempo nesse estado teria consequências gravosas para o espírito]. Mas será que desde o início já seria condenável tal estado? Ou será que não deveríamos focar nossa caridade para aqueles que pairam sobre o “estado da promiscuidade”?

E se a ciência encontrar genes ligados à homossexualidade? Como ficaria o “não renasce homossexual? Há diversas pesquisas nesse sentido, mas que não convergiram para um “saber científico uno” ainda.

Será que o espírito acabaria por imprimir no seu perispírito genes ligados à esse estado transitório, de modo que o que vemos na genética material seria o efeito e não a causa? Como refutar essa hipótese com os laboratórios de hoje que só tratam da matéria?

Não obstante, no quesito subsequente, Cairbar comenta que o planejamento da união homossexual entre dois espíritos antes de encarnarem é factível.

No mesmo alinhamento é o posicionamento de Alexandre Perez (Desafios da Sexualidade, página 310) que assenta que “acreditar que a homossexualidade é um comportamento totalmente incluso nos objetivos finais das leis de evolução física, moral e espiritual é, do nosso ponto de vista, querer justificar um estado necessariamente temporário, por não conhecermos a vida imortal do espírito e suas diferentes encarnações. (…) Para nós, espíritas, contudo, a realidade é bem diferente. Conviver com a homossexualidade em nós, ou nos outros que nos são próximos, torna-se um desafio ao exercício da compreensão, do respeito e da fraternidade, da responsabilidade, do esforço e do aprendizado”.

Afinal, será que nossos mentores desejam a nossa expressão homossexual indefinidamente? E em sendo heterossexuais, será que eles esperam, necessariamente, um estágio nosso na homossexualidade? Temos que sopesar tais questões cumulativamente ao conhecimento que vamos sorvendo. Nessa exposição em espiral, lembremos que, conforme o primeiro argumento que trouxe, se afastar da Lei de Reprodução seria uma dor ao espírito.

Ainda nesse embalo de transitoriedade, são esclarecedores os apontamentos do já citado Irmão Honório. Na página 52 da obra Sexualidade e Saúde Espiritual, pergunta-se como é a preparação do espírito que reencarnou várias vezes como homem e virá como mulher (e vice-versa). Eis a resposta:

“Uma preparação minuciosa. Quando se trata de uma reencarnação bem programada com a anuência consciente do Espírito, é realizada uma série de estudos para o sucesso do empreendimento. O espírito, quando vai reencarnar na outra polaridade, entende todos os mecanismos dessa polaridade, estuda fisiologicamente como funcionam os órgãos, o perispírito e também os impulsos dessa polaridade. Além disso, aprende com estudos sociológicos, antropológicos, psicológicos, como foi a formação dessa polaridade na história da humanidade, desde as suas manifestações primitivas até as suas manifestações atuais, e, também, as destinações dessa polaridade para o porvir.”

Tendo tal preparação e esclarecimento, o próprio espírito conclui que não é a inversão de polaridade na trajetória do espírito que faz o indivíduo buscar a homossexualidade, muito menos o homossexualismo (quando há promiscuidade). Entendo que o mais relevante para uma transição harmônica seja a conduta pregressa do espírito na matéria da sexualidade. Isso sim deve dar condições de todo esse estudo ser sorvido com efeitos práticos.

O Espírito Honório ainda complementa sobre a preparação:

“O mesmo processo minucioso não ocorre quando o espírito se vincula a uma reencarnação de característica compulsória. Nesse caso, o que determina a sua experiência na outra polaridade é a necessidade emergencial de cumprir na consciência as Leis Divinas que as características dessa polaridade lhe imprimirá na índole e no caráter.

(…)

Um espírito de característica machista em seu comportamento é muitas vezes atraído para a reencarnação na polaridade feminina em países de pensamento cultural machista, sentindo na própria experiência os ataques que guarda no fundo de seus conceitos. (…) Se a homossexualidade fosse produto da reencarnação na outra polaridade, o indivíduo estaria fadado a ser homossexual pela Lei e não é assim que acontece.”

Conclusão essa aceitável pela lógica Espírita, até porque, em bem empregando o livre-arbítrio no que tange à energia sexual, qualquer espírito, a princípio, teria as condições de atuar conscientemente nos desafios da outra polaridade e perpassar pela mudança sem necessariamente ter uma orientação sexual voltada ao mesmo sexo. Isso refuta a interpretação generalista trazida por Andrei Moreira (Homossexualidade sob a ótica do Espírito Imortal, página 156), quando tal autor extrapolou sutilmente uma possibilidade aventada por Kardec (Revista Espírita, janeiro 1866, p. 7) em algo praticamente determinístico:

[Andrei] – “Vivenciando múltiplas experiências em um mesmo sexo, o Espírito passa por um período de natural fixação nas características do sexo em que estagiou e lentamente se refaz ou se descondiciona.”

[Kardec] – “Pode ocorrer que o Espírito percorra uma série de existências num mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, ele possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou mulher do qual a marca permaneceu nele.

(…)

[Kardec] Mudando de sexo ele [o espírito] poderá, portanto, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. ”.

Analisando as palavras negritadas acima, cada um pode tirar as suas conclusões. Ou não. Aí já não é comigo.

Entendida a homossexualidade com um estágio transitório do espírito e, compreendidas as situações de preparação reencarnatória, passemos ao último ponto antes dos apontamentos finais.

Afinal, é normal ou não a homossexualidade?

Tratando da normalidade ou anormalidade da questão, Cairbar Schutel foi defrontado via questionamento diante de um caso hipotético de dois casais, que se respeitam, se amam e tem relações sexuais. Um heterossexual e o outro homossexual – ambos tendo decidido não ter filhos.

Cairbar assevera que são duas situações equivalentes perante a Lei Divina. (Cairbar Responde, página. 195). É uma frase tão curta quanto clara e bastante esclarecedora. Também é curioso notar que tal assertiva colocaria os dois casais, ceteris paribus, em igual cota de sofrimento pelo afastamento da Lei de Reprodução. Mas sem drama porque noutra vida ter-se-iam tais experiências.

Posicionamento de certa forma alinhado ao que Emmanuel traz em Vida e Sexo:

“A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.

(…)

O Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em posição da masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.”

[Destaca-se que o “quase” é um detalhe que traz compatibilidade com as menções de Kardec na Revista Espírita e a crítica feita à interpretação generalista de Andrei Moreira alhures nesse texto].

A equipe da sessão de orientação foi ainda mais enfática e perguntou, comentando sobre um livro espírita, se seria correto o entendimento de que “se você foi programado que nasça homem, então você tem prosseguir naquela ideia de que você nasceu homem, você tem que se unir a uma mulher e procriar…”

Eis a resposta de Cairbar:

“Isso é a maneira dele [autor] dizer, mas não é isso que acontece. Porque a Lei Divina não diz que você está errado ou certo se você une homem com homem ou mulher com mulher. A Lei Divina diz que isso é escolha do espírito” [viu porque seria uma análise rasa se eu decidisse acabar com o texto lá no início?].

(…)

Cairbar prossegue:

“Eu não estou dizendo que o casal homossexual está certo, eu estou dizendo que isso é uma escolha do espírito. Eles têm que se sentir tranquilos na posição em que estão. Se o casal julgar que esse é um caminho bom e que estão sendo corretos e justos, ninguém pode acusá-los de nada.”

Veja o cuidado de Cairbar. Se algo não poder receber o selo de certo, nesse caso, também não vemos autorização nenhuma para críticas. Somente o espírito que vive a experiência é que terá meios de entender e avaliar como se sentirá melhor, em paz. Só que nós temos a limitante mania de encaixotar tudo o que vemos em certo ou errado, ainda mais quando vemos nos outros…

Esse cuidado de Cairbar é perfeitamente aderente à explicação contida na pergunta 636 de OLE, na qual explica a espiritualidade que “o bem é sempre o bem e o mal sempre  o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau de responsabilidade“.

Comer carne de animal assassinado é certo o errado? Não largar a família pra viver pelos pobres o amor sublimado é certo ou errado? Ficou mais fácil agora entender a importância de se respeitar o momento do espírito?

Há escolhas temporárias e aceitáveis conforme o nível evolutivo de cada um de nós. Uns patinam no mesmo ponto mais do que deveriam [note que eu não disse “mais do que outros” – reforma íntima é sua e não do outro]. Sendo assim, não somos nós que sentenciaremos ninguém por essa eventual inércia.

Talvez, se a causa da homossexualidade é [1 – obsessão + promiscuidade = homossexualismo ante a configuração de doença segundo a ótica espiritual, conforme ilustrou o irmão Honório], o caminho mais óbvio é se curar dos excessos e banalização do sexo – o que vale igualzinho para qualquer heterossexual promíscuo. Se a causa é [2 – bagunças realizadas noutras vidas em determinada roupagem], o convite imediato não seria a repressão com vistas à sublimação, mas sim o encontrar de um parceiro e a vivência com respeito e afetividade real. Já se a causa é [3 – trabalhos em prol da coletividade que exigem duras disciplinas], a postura é trabalhar e buscar a sublimação. De todo modo, [1], [2] ou [3] são momentos a que todos nós estamos sujeitos a passar.

Por ser um estado de espírito, talvez faça mesmo sentido tal ideia (da tranquilidade na posição que se assume), ainda mais quando o mesmo Cairbar explica que nos mundos superiores não existe homossexualidade (Cairbar Responde, página. 199): “Aliás, a sexualidade é nesses locais vivenciada de forma diferente. Impera o prazer da companhia, de modo que da Terra até lá, o sexo vai se restringindo apenas à época da procriação”.

Se você não se sente culpado por não transar só pra procriar – sem agonia nesse processo – também não queria impor um átimo de culpa nos irmãos que experienciam a homossexualidade. Não é lógico.

Lógico mesmo é eu partir para as linhas finais…

Nessa linhas tratarei de homossexuais e trabalho mediúnico, voltarei à questão da sublimação e fecharei esse estudo com perguntas incômodas (o leitor “mais leitor” terá percebido quantas perguntas já se espalhou pelo texto até aqui).

Quais as restrições ao espírita homossexual?

O mentor Honório (Sexualidade e Saúde Espiritual, página 57) diz:

“O Espírito com tendências à homossexualidade é perfeitamente digno de todo o respeito, de toda a consideração e deve ser inserido em todas as atividades normais da sociedade, tanto quanto nas atividades espirituais.

Já o autor Odilon Fernandes (no livro Conversando com os médiuns):

“Em nossa opinião, o médium na prova da homossexualidade, desde que se revele digno do compromisso assumido, pode perfeitamente cooperar na transmissão do passe, atuar na psicofonia, na psicografia, na mediunidade de cura, enfim, proferir palestras doutrinárias, participar da diretoria da casa.”

Fácil, neh? Não é a toa que OLE fala que para Deus “intenção é tudo”. Para trabalhar na seara de Jesus, ser homossexual ou pentear o cabelo para o lado esquerdo: tanto faz.

E a sublimação da energia sexual? Imposição ou exposição dessa faceta bastaria?

O mesmo espírito Honório comenta:

“Caso não consiga praticar a abstinência e ficar sem um parceiro [revertendo a energia sexual em favor de trabalho no Bem em prol de uma coletividade], a prática da homossexualidade só se faz de alguma maneira útil, quando o espírito, em árduo conflito, grave posição de depressão, estado íntimo de desgosto pela vida, não consegue, pelos esforços que está empreendendo, utilizar-se da vida de abstinência em favor da coletividade.”

Entendi disso aí de cima que é preciso uma volta solitária no “deserto da alma” para saber se o seu caso é [2] ou [3] ou mais pra [2] do que pra [3].

Já Andrei Moreira, da Associação Médica Espírita-MG aduz que:

“O discurso de repressão da sexualidade, mascarado de ‘sublimação’, tem raízes profundas na noite dos séculos e tem sido utilizado ao longo dos tempos com finalidades de manipulação e controle social, sem o despertar da consciência necessário. Finaliza, reproduzindo Emmanuel:

“Desarrazoado subtrair-lhe as manifestações aos seres humanos, a pretexto da elevação compulsória, de vez que as sugestões da erótica se entranham na estrutura da alma, ao mesmo tempo em que seria absurdo deslocá-lo de sua posição venerável, a fim de arremessá-lo ao campo da aventura menos digna, com a desculpa de se lhe garantir a libertação.”

Será que todo o discurso de sublimação é uma máscara cruel da sociedade? Entendo que, mesmo sendo uma clara exceção, saber dessa possibilidade pode ser relevante para o espírito que já tenha condições reais de sublimar a energia sexual em alguma medida. Para os demais, sem culpa, e com plena compreensão e auto-aceitação, vive-se a homossexualidade com respeito pelo parceiro. Ou seja, eu estou aqui dizendo que pode haver um caminho do meio ao passo que os autores se colocam de lados opostos de um mesmo precipício.

Da mesma forma, e com menos polêmica, sabemos nós que um dia não olharemos pro bacon como a maioria olha hoje. Será uma repaginada nossa dentro da Lei de Conservação.

Temos ciência também de que futuramente amaremos as coletividades sacrificando mesmo a vida “gabarito” em família que é a regra social mais difundida atualmente. Outra repaginada. Dessa vez na Lei de Amor, Justiça e Caridade.

Tudo sem culpa. Esse é o ponto. Saiba o nível de discernimento que detém e faça o máximo de Bem que consiga. Trabalhe no limite das suas forças doravante.

Por mais que já saibamos os enormes ganhos a médio e longo prazo de toda uma vida transando com o maior dos afetos só para procriar, comendo como se come em dia de trabalho mediúnico, é preciso olhar pra dentro e compatibilizar suas atitudes com o nível íntimo de lucidez, com o grau de acesso às Leis de Deus por meio da consciência atual que portamos. Consciências diferentes entre si para cada um dos bilhões de espíritos vinculados a Terra.

Como diria Francisco de Assis: Que possamos mais compreender do que se compreendido.

Alexandre Perez (Desafios da Sexualidade, página 306) comenta que o que se quer mostrar, em última análise é que um indivíduo homossexual, para conseguir algum progresso moral, espiritual e afetivo não precisa, necessariamente, deixar de ser homossexual.

Aê! Finalmente, as perguntas incômodas!

Qual a distância entre o respeito e a incitação, incentivo à homossexualidade? Frente ao que se leu aqui, o espírito espírita deveria mais respeitar ou incentivar a homossexualidade (para aqueles que querem exercê-la)? Pense em algo mais ameno pra te ajudar: Espiritismo respeita ou incentiva sexo antes do casamento? Espiritismo respeita ou incentiva picanha na brasa? Quão tênue é a linha que separa conscientização da banalização da sexualidade (de qualquer orientação)?

Será que os heterossexuais preconceituosos e machos alfa de hoje não seriam os maiores candidatos à experiência homossexual expiatória em uma próxima vida? Por que não? Que argumentos eu teria para refutar tal hipótese?

Será que você heterossexual, ainda que aparentemente sem preconceitos, conseguirá migrar de uma polaridade sexual para a outra tranqüilamente, comendo bacon e tudo o mais constante?

Será que um casal homossexual que se respeita não poderia estar mais alinhado ao melhor uso possível do tempo e da energia sexual do que você que vive feito um Don Juan com psicose? Caberia também o raciocínio contrário, em que heterossexuais avançariam mais do que homossexuais “promíscuos” ? Cabendo ou não tais suposições, é mais útil pensar em comparações com os outros ou consigo mesmo, com o seu ideal possível nesta vida? O que Jesus pensaria sobre suas atuais ideias e ações?

Quando um homem ou mulher deixa o parceiro ou parceira (respectivamente ou não) em casa naquela manhã de domingo gostosa para oferecer o pão, a palavra, o olhar, os ouvidos as versões de Cristo que clamam por caridade – “é a mim mesmo que fazeis”, não seria um instante de sublimação? Ou devemos encarar a sublimação como algo binário, que só vale se for por toda uma vida?

E se fosse “Lei de Sexualidade” em vez de “Lei de Reprodução” em O Livro dos Espíritos? Cabe a nós questionarmos essa classificação? Os mesmos Espíritos Superiores já indicaram nas Obras Básicas que todos os sistemas de classificação são meras convenções e em nada absolutas. Como ficaria a Lei do Progresso (das ideias) aplicada sobre o próprio Espiritismo?

Qual a lógica de se ter um posicionamento impassível de melhoramentos, mesmo mudanças, diante de um assunto polêmico em que estamos engatinhando e diante do alerta apresentado à Kardec em O Livro dos Médiuns: “O melhor [médium] é aquele que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido o menos enganado“. Ou seja, todos os médiuns erram, inclusive os que serviram para as obras aqui utilizadas, e também outros que tratarão do tema em futuras obras espíritas. Perceba que apenas os argumentos iniciais, baseados em O Livro do Espíritos, é que são protegidos pelo Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE)**. Todo o resto são opiniões.

Sempre o nosso estado evolutivo.

Não imponhamos culpa a ninguém. A Terra é um grande hospital. Todos nós temos nossas bolas de ferro amarradas a pesadas correntes. Somente se movimentando é que perceberemos a “gravidade” disso e a gravidade nisso. É importante saber as tipologias prováveis de causas da homossexualidade, assim como de qualquer outro desafio inerente a cada um de nós. É mais importante ainda acolher, respeitar e incentivar a prática do Bem. Só assim pra ter alta…

*eu posso ter me enganado mais que o habitual sobre a duração da leitura. Ou não. 4! também podem ser 24 minutos…
** A melhor garantia de que um princípio é a expressão da verdade se encontra em ser ensinado e revelado por diferentes Espíritos, com o concurso de médiuns diversos, desconhecidos uns dos outros e em lugares vários, e em ser, ao demais, confirmado pela razão e sancionado pela adesão do maior número.” (extraído do Livros dos Médiuns).

 

6 comentários em “Homossexualidade e a Nossa Ignorância

  1. Texto legal, Rafael! É sempre difícil tratar desse tema. Ainda não compreendemos todos os meandros da sexualidade e somos levados instintivamente a sempre nos incluir no objeto do estudo, o que só serve pra tornar as conclusões enviesadas, frágeis na lógica. Compartilho que um raciocínio mais equilibrado sobre o tema da homossexualidade exige perseverar no estudo e na observação e fugir dos riscos da generalização. Parabéns pelo seu exercício no texto que conseguiu resumir bem as 3 causas possíveis para uma experiência homossexual e resgatar o caráter muito individual da sexualidade. São ótimos pontos de partida, os melhores que consigo enxergar, para quem desejar se aprofundar no tema! Abração, Leandro!

    1. Obrigado pela paciência com a leitura do texto. Acho que o caminho é humildade pra aprender e saber que nesse processo mais não sabemos do que sabemos. Por isso, as várias ressalvas e questionamentos ao longo do texto. Espiritismo é uma Doutrina indissociável do progresso. Progresso implica aprimoramentos e, muitas vezes, mudanças. Você já identificou isso ao considerar essas 5 mil palavras um ponto de partida (correto!) e não como alguém tentando encerrar o assunto

  2. Parabéns Rafael! É sempre difícil tratar desse tema. Ainda não compreendemos todos os meandros que cercam o assunto sexualidade..Na média, estamos longe disso. Também teimamos em nós incluir no objeto de estudo, o que restringe e torna enviesadas as conclusões na maioria das vezes. Compartilho do seu entendimento de um raciocínio mais equilibrado e completo sobre o tema da sexualidade exige perseverar no estudo e na observação. Parabéns pelo seu exercício nesse texto que conseguiu concluir sobre 3 causas possíveis para a homossexualidade eresgatar o fato de que a melhor forma de se conduzir por ela é uma solução individual. São bons pontos de partida, os melhores que consigo enxergar, para quem deseja avançar na compreensão do tema. Abraço!

  3. Caro Rafael, li com atenção o artigo, letra a letra. Lúcido, fiel à Doutrina, corajoso e equilibrado. Gostei muito! Peço sua permissão para replicar o link para outros grupos espíritas.
    Uma frase me veio à mente após a leitura: “Não julgueis para não serdes julgados”…
    Um grande abraço,
    do amigo Maurício Lociks.

  4. Incrível sua dissertação sobre esse assunto tão atual e polemico. Ja sou,sua fã,Dou risada, suas logicas soam divertidas; por exemplo, nesse do tempo que se leva pra saber sua opinião final sobre o assunto. Parabéns, exemplo de bom senso, humildade, pratica do bem ao próximo, Seus textos não julgam, esclarecem; e dão sentido pois, impregnados de pontos convergentes nos levam a reflexão automaticamente.

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