(5 minutos) Rafael Martins

Como o Espiritismo poderia ajudar Rick Sanchez, a maior inteligência do universo (de acordo com a animação), a superar a sua grande dor? Para aqueles que estão boiando: Rick and Morty é um desenho para adultos, com episódios imprevisíveis, criativos e cheios de referências da filosofia, ficção científica, filmes, clássicos da literatura e algo de ciência real.

É como se fosse um The Big Bang Theory com o Sheldon na terceira idade, pirado e explorando todo o universo no estilo GTA junto de seu netinho – o Morty – não tão esperto assim.

A propósito, a maior dor do Rick é descrita na frase abaixo:

“Wubba lubba dub dub”

Em tradução livre e segundo ensina um dos candidatos a melhor amigo do Rick – o “Pessoa-Pássaro”, o significado seria:

“Estou em grande sofrimento. Por favor, me ajude”.

Essa agonia seria explicada pela ideia de Horror Cósmico, explorada nas obras de H.P Lovecraft.

Pra resumir, esse horror advém da percepção da relevância ou da falta de relevância de cada um de nós frente a grandeza do universo.

Os “horrorizados” seriam aqueles que perdem ao menos um pouco de sono ou ficam meio perturbados diante de perguntas como: será que somos importantes? será que o universo dá a mínima para o que rola na Terra? Enfim, é como se um cristal de um grão de areia buscasse o protagonismo entre todas as praias do mundo. A crise existencial desse mineral iria acabar numa terapia…

Por conta das andanças com seu avó, Morty acaba influenciado por essa vibe, a ponto de soltar pérolas como essa:

Ninguém existe por um propósito. Ninguém pertence a lugar nenhum. Todo mundo vai morrer. Vem ver TV.

Em suma, a vida seria a consequência de um cenário em que milhares de probabilidades ridículas se materializaram, de modo que as consciências produto dessa matemática (tipo uma equação de Drake) acabam ficando sem eira nem beira diante de perguntas mais profundas.

Apesar de todo o mundo ter morrido, estar morrendo ou morrer daqui um tempo – e quase todo o mundo ver TV – há brechas oriundas das posturas paradoxais de Rick que auxiliam a explorar melhor o restante da frase do ingênuo neto.

Primeiro, valendo-se da matemática, é inegável que, de fato, não somos assim… os tops da galáxia. O filósofo Mario Cortela ilustra bem isso pra tentar contornar problemas de autoridade e relacionamento pessoal.

Mais tosco ainda termos cogitado um dia ser o Centro de algo que nem sabemos o tamanho, além de desconhecer várias coisas da parte visível…

Tratando agora da parte mais polêmica do pensamento de Morty, quanto este fala sobre propósito.

A Ciência dos Homens tem uma pancada de experimentos controlados e replicados que atestam ser vital para viver melhor, viver com propósito. Mais ainda, quanto mais esse propósito envolve a felicidade também de outras pessoas, melhor para você. Pra quem tiver curiosidade pode aprofundar mais no livro Life On Purpose de Victor Strecher. Não é auto-ajuda, mas é pra te ajudar.

Como propósito é fundamental, ou o Morty acaba por se desesperar ainda mais ou tenta uma nova abordagem. Para tanto, humildade é indispensável. Vamos no vácuo do astrofísico Neil Tyson:

Não há problema em não saber todas as respostas. É melhor admitir nossa ignorância do que acreditar em respostas que podem estar erradas. Fingir que sabe tudo fecha a porta para a descoberta do que realmente estava lá.

Pensa nessa hipótese: e se nossa ignorância for proporcional a nossa relevância material frente ao Universo? Significaria que temos muito o que aprender e com isso, muito mais perguntas do que respostas.

Com o Espiritismo, parte do véu que cobre nossa visão é removido. Com o Espiritismo a hipótese acima faz todo o sentido já que estamos em um Mundo de Provas e Expiações – mais perto do ponto de partida do que da chegada…

A imortalidade da alma, a pluralidade das existências e dos mundos habitados faz de nós personagens do melhor RPG do universo. Deus que criou, as regras são perfeitas, tem continue infinito e o jogador está sempre aprendendo com os erros. Além disso, a Lei do Amor é o poder mais desejado que se pode portar…

No último level, alcançaremos o status de espíritos puros, sendo co-criadores e detentores de um desenvolvimento moral e intelectual no patamar de uma perfeição relativa. A perfeição do Cristo. “Vós sois deuses…”

Assim, o horror cósmico transformar-se em reverência cósmica já que estamos fadados à felicidade em ritmo alinhado com os nossos esforços.

É bom lembrar que refutar a hipótese trazida com o Espiritismo dá um pouco de trabalho. Já antecipando, não dou qualquer credibilidade a céticos preguiçosos.

Isso porque, valendo-se da brilhante lógica do escritor Nassim Taleb, tudo quanto é conhecimento decorrente do intercâmbio mediúnico é um cisne negro*.

Em outras palavras, basta um fenômeno, uma carta psicografada, uma visão de espírito, um desdobramento, uma materialização, uma psicofonia ser verdadeiro para derrubar todo o estandarte do mundo governado solitariamente pelo materialismo.

Ou seja, não adianta desmascarar um ou mesmo uma penca de embusteiros (que existem em qualquer religião). Para refutar a hipótese da reverência cósmica permitida com o advento do Espiritismo, haveria de se refutar todas as candidatas a evidência de existência de um mundo espiritual.

Convenhamos que é um pouco mais esperto tentar averiguar, por exemplo, as boas obras, os frutos daqueles que se dizem auxiliados pelos “amigos espirituais”. Um pouco de bom senso contribui muito nesse exame.

Em todo o caso, a dose de orgulho e inteligência de cada um vai ditar o ritmo de convencimento das verdades espirituais.

Pra encerrar, fiquemos com algumas opiniões da versão C-137 de Rick Sanchez:

Eu sei que essa situação pode ser intimidadora. Você olha ao redor e é tudo assustador e diferente, mas sabe… encará-las, avançar contra elas como um touro – é assim que crescemos como pessoas

Além desse ponto, o próprio Ricky, de certa forma, já deixa um ponta no caminho de encontrar propósito no AMOR ao próximo, começando pela sua própria família.

De fato, após congelar o tempo por seis meses para poder reconstruir a casa depois de um festão, o gênio dos multiversos diz pro seu neto da sua nova catchphrase:

I love my grandkids

Isso depois de provar matematicamente, em um episódio anterior, que seus netos eram imprestáveis…

 

*Esse cisne negro não tem nada a ver com a bailarina porra loka do filme. Trata-se eventos de alto impacto, imprevisíveis e que quando ocorrem o homem dá um jeito de dizer que eram previsíveis encaixando-os em algum modelo “apropriado” para o caso.

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