(3 min) Guilherme Costa

Hoje fui convidado a um velório de uma amiga judia, ritual lindo que muito tem a nos ensinar (cristãos). Fiquei a pensar sobre a vida, quando algo natural como a morte chega perto de nós. Questionamos nossas crenças e nossos valores. Questionamos tudo o que vem à mente. Perguntamo-nos: qual o sentido da vida? O que estamos fazendo dela? Em meio a muitas reflexões coloquei-me a observar e absorver aquela cerimônia judia.

Pensei que pouco importa o Deus que você acredita na hora da morte. Essa frase não é nenhuma afronta a fé de ninguém. Muito menos quero desrespeitar nenhuma crença. Cheguei a essa conclusão após a cerimônia que pouco falou de Deus e muito falou de nós, seres humanos. Deixo claro também que esse texto é de composição minha, exclusivamente, portanto não houve na cerimônia nenhum momento que fizessem tal reflexão.

Como você pode dizer que não importa o Deus que escolhi por uma vida inteira se na hora da morte é ele quem julgará tudo? Onde está meu Velho de barbas brancas? Ou meu juiz de toga? Ou minha divindade celestial que é só amor? Meu questionamento não é sobre sua visão de Deus, mas sim sobre o que fizestes enquanto esteve em vida. Um Deus mais brando ou amoroso ou severo vai julgar o que? TEUS ATOS! Esse é o ponto que quero chegar.

Meu Deus não julgará nada, porque no que eu acredito minha consciência já o faz, entretanto esse texto não é pra falar sobre Deus, mas sim sobre meus atos. Isso que valerá a pena no final. Ser lembrado pelas coisas boas. Pelas minhas atitudes positivas. Pelos meus milagres. Pelo meu sorriso. Valorizar minhas qualidades mesmo sendo um paladino errante. Na mesma proporção pelas minhas tentativas de acertar. Pelas vezes que aprendi caindo. Pelas feridas que abri. Pelas vezes que fui egoísta. Quando fui imaturo. Nessa balança serão colocados meu coração de um lado e uma pena do outro. Enquanto a pena for mais pesada ainda tenho muito a aprender nas múltiplas existências.

Uma das coisas que mais gosto no espiritismo é da capacidade de lembrar de Jesus em vários momentos positivos de sua vida. Tira da mente essa imagem da Cruz e da dor. Lembremos dos ensinamentos, dos milagres e do amor. Expoente do caminho a ser seguido que não me culpa de ter colocado-o na cruz. A responsabilidade não foi dele de morrer por mim e sim a minha de ter soltado Barrabás. Soltamos Barrabás diversas vezes durante nossa vida e ele, Jesus, ainda tem paciência comigo, quando até o Chaves desiste de mim.

Faço um pedido para o meu velório. Claro, está longe de acontecer porque me considero um ser imorrível. Brincadeiras à parte, quero que seja celebrado no meu velório a vida que eu conquistei. Acredito que só desencarnamos, quando terminamos nossa missão, logo, quer motivo maior para ser comemorado? Nada de egoísmo de ter a minha presença, pois cada momento fora eternizado em nossos corações. Gostaria de ter um pagode e mamonas assassinas no meu velório. Todos lembrando boas histórias comigo e sabendo que não é um adeus. Na verdade é um bom dia, um início de um novo ciclo, o qual todos passarão. Celebremos esse momento.

Finalizo falando de um texto que foi lido hoje no velório. Falava de um rei rico que tinha um diamante que sofrera um risco e nenhum joalheiro conseguia consertar. Um dia um jovem prometeu que arrumaria e do risco fez o desenho de uma flor no diamante. Moral da história: nós escolhemos o que fazemos das marcas de nossas vidas. Um expoente de sabedoria judia que levarei comigo para a eternidade. Juntos podemos aprender mais e chegar mais longe. Somos todos filhos do mesmo pai, portanto irmãos. Logo, na hora da morte não se preocupe com o pai, mas sim com o que fizestes da oportunidade que ele te deu. Melhor ainda, reflita sobre a dica de Santo Agostinha na hora de bater as botas:

A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho…

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.”

2 comentários em “Nesse momento seu Deus não importa

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