(4 min) Rafael Martins

Duvida do título? Deixa eu acentuar sua desconfiança antes de esclarecer meu ponto. Talvez sirva como uma mola que vai sendo pressionada e te impulsione para uma repaginada de ideias.

Se o capitalismo moderno, com suas vantagens e desvantagens, tivesse um berço, um lugar simbólico, na cabeça de muito gente apareceria Wharton School, que se gaba por ser uma das instituições que mais formou bilionários no nosso tempo.

Dito isso, a ideia que rapidamente vem a mente é que as salas de aula desse local tendem a moldar mentes brilhantes a atuarem de forma implacável, destruindo todos ao redor como condição indispensável para o sucesso individual. Certo?

Nem tanto. Aliás, cada vez menos.

Adam Grant, que integra a nova safra de professores da citada instituição, antes dos seus 40 anos já possui linhas de respeito em seu currículo. Só pra calibrar o que seriam linhas de respeito, esse careca que já gravou alguns interessantes TED Talks, é ao mesmo tempo o mais novo professor titular e o docente com a melhor avaliação de Wharton. Daí, desnecessário citar uma pancada de empresas para os quais ele já prestou consultoria. Google, IBM…não resisti.

Mas no que esse professor se diferenciou? Na abordagem didaticamente revolucionária? Nas piadas? Na oratória? Não. São ideias novas e bem contra-intuitivas para aquele meio o que esse docente trouxe. Mais que isso. Ele tem convencido os futuros bilionários do planeta a respeito da implementação dessas ideias.

Primeiramente, é preciso distinguir três perfis presentes no mundo corporativo para captar o alcance das conclusões de Adam.

Perfil I – Tomador (taker) –  atropela todo mundo, só pensa nele. Seria o protagonista de filme capitalismo selvagem.

Pefil II – Compensador (matcher) – tudo na base do “só se eu ganhar você pode ganhar”. Seria o mundo dos interesses. Diante do primeiro conflito, meu pirão primeiro e o resto que fique com o resto, se houver.

Perfil III – Doador (giver) – Esse cara pensa nos outros, não vinculando a ajuda que dá à ajuda que possa receber. Pensa simplesmente em contribuir com as habilidades que tem sempre que pode e faz isso numa parcela considerável do tempo.

O saber tradicional colocava na pirâmide das grandes empresas esses 3 perfis na mesma ordem em que eu os apresentei. Assim, os tomadores alcançam as cadeiras mais cobiçadas, enquanto que os doadores não passam do chão da fábrica.

Só que as tradições mudam. E novos professores, novas ideias e novos executivos materializarão a nova tradição.

Em síntese, por uma infinidade de pesquisas tão curiosas quanto convincentes, não só dele, como de diversos outros pesquisadores, consolidou-se no seu livro Dar e Receber a tese de que os doadores, quando insistem no BEM são mais bem sucedidos, superando inclusive os tomadores.

Do escândalo da Enron ao perfil mais valioso do Linkedin, passando por um dos mais criativos roteiristas de Os Simpsons, Adam traz uma coletânea de estudos mostrando onde estão aqueles que resolveram ajudar o próximo, porque são assim e o que ganham com isso. Também revela como se lascaram vários tomadores que chegam ao ápice da carreira, mas não conseguem se manter.

Agora troca tomador por egoísta, orgulhoso, avarento; compensador por aquele que ainda não cumpre o “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita” e doador por homem de bem, aquele que ajuda sem cobrar/esperar qualquer gratidão, com ou sem juros.

Que quero com isso?

Bem, se esse livro – Dar e Receber – fosse escrito por um religioso qualquer não seria tão lido, mesmo tendo um título “bem auto-ajuda”. O mais instigante é que os termos da academia têm sinônimos exatos personificados nas parábolas de Jesus, de modo que já deve haver uma pancada de livros religiosos com o mesmo discurso do Adam, só que voltados para a vida pessoal.

Como disse Lenny Mendonça, diretor da McKinsey & Co: “Adam Grant demonstra, por meio de pesquisas convincentes e de histórias fascinantes, que existem maneiras melhores de fazer as coisas”

Só mesmo um sábio professor para trazer argumentos capazes de reorientar as mentes que tocarão o barco da nova economia. Os alunos não percebem, nem precisam. Mas todo o mindset do livro é inteiramente aderente à proatividade no BEM que Francisco de Assis trouxe há mais de 700 anos.

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

 

2 comentários em “Oração de São Francisco no Mundo Corporativo – O poder de um Professor

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