(5 minutos) Rafael Martins

Como um curso sobre Futurismo com o povo geek e criativo da Perestroika pode ter confirmado vários dos ensinamentos do Espiritismo? A melhor forma de começar a responder isso seria com outras perguntas:

Como não imaginar o futuro em uma religião que prega categoricamente que:

Se um dia a ciência provar que o Espiritismo está errado, devemos ficar com a ciência – Allan Kardec

Como pode ser possível se surpreender com o alinhamento entre Futurismo e Espiritismo quando tal religião traz em seu cerne, como Leis Divinas, o Progresso e a Liberdade? Premia, assim, pela Lei de Causa e Efeito, todo esforço de cada um de nós e respeita sempre a desigualdade por merecimento.

Como não imaginar um descolamento com o passado em uma religião que entende ser um ateu humanista alguém muito mais útil do que um pregador entusiasmado? Que dissemina a ideia de que melhor religião é, simplesmente, aquela que te faça um ser melhor? A caridade é mais sublime do que a fé.

Como não ser convencido a ter um horizonte verdadeiramente de um visionário diante da imortalidade da alma? Da fatalidade no aprimoramento intelectual e moral?

Essas perguntas respondem de alguma forma porque Leon Dennis (na obra No Invisível) construiu a ideia de que o Espiritismo não seria a Religião do Futuro. Seria, na verdade, o Futuro das Religiões.

Antes de passar aos pontos onde rolou match entre o Espiritismo e o Futurismo é preciso trazer uma definição para este último:

Futurismo é a disciplina que se propõe a imaginar cenários futuros, num tempo pós-emergente, sob forte influência do pensamento científico (e recolhendo evidências na própria ciência, tecnologia e empreendedorismo/mundo dos negócios) com três grandes intenções: explorar possibilidades distantes da nossa realidade, traduzir estas abstrações para o grande público de maneira empática – ajudando, assim, a sociedade a tomar melhores decisões no presente – Tiago Mattos

Agora se liga nos insights que o curso possibilitou.

Hoje, ainda de forma bem discreta, a nanotecnologia pode ser usada para curar câncer em ratos, literalmente em um processo de dentro para fora por meio da reconfiguração de átomos.

Agora, valendo-se da Simpatia com o Absurdo, um dos atributos do Mindset de um futurista: pensa no dia lá em que se conseguir reconfigurar átomos em grande escala (não só nanométrica). Você não vai mais precisar comprar uma bolsa na loja chique, um carro na concessionária ou ir ao shopping pra escolher uma blusa.

No lugar disso, bastará um pacote de um número de átomos com essa propriedade de se amoldar aos diversos bens de consumo.

Super soco na ponta do queixo do atual modelo que te leva pra jaulas de consumo e incentiva à preponderância do materialismo.

Há outro ponto de contato desse lance de reorganização atômica com o Espiritismo. Várias obras falam, direta e indiretamente, da capacidade de espíritos mais evoluídos de plasmarem objetos utilizando a força mental. Seria a reconfiguração de uma matéria menos grosseira do que a nossa. No fundo, confirmaria a tese de que o progresso sempre ocorre antes no Mundo Espiritual – tipo, a tecnologia equivalente a do iphone estava por lá, quando por aqui, chuto eu, a galera pirava com TV preto e branco.

Outra evidência comentada no curso e que indica que estamos na peregrinação de afastamento do materialismo diz respeito à Economia Compartilhada, em que o novo consumidor quer mais acesso e menos posse. Daí, menos entulho, mais praticidade, planetinha mais limpo e mais tempo para você olhar para coisas mais duradouras. Tudo porque você se convenceu que é mais jogo alugar uma furadeira do que comprar uma quando se quer um buraco na parede.

Acelerando o passo da peregrinação acima, o curso comentou ainda, com exemplos bem contundentes [1, 2, 3] que a tecnologia do blockchain vai tirar da palco principal a Economia Compartilhada e colocar a Economia das Habilidades (aqui Uber e Airbnb se lascam). Nesse último modelo, cada indivíduo seria a própria empresa. Cada um seria inteiramente responsável por trabalhar na estrita cota das respectivas capacidades, e isso sendo aproveitado ao máximo e da forma mais justa.

Tal ponto encaixa como uma luva no mindset espírita de que nós somos inteiramente responsáveis por tudo o que nos ocorre. Nada mais lógico de que o mercado de trabalho implemente essa que é uma verdade universal.

É muito confortador também ver que algumas das faculdades prestigiadas ao redor do mundo que têm a cadeira de Futurismo conceituam o “bilionário do futuro” como aquele sujeito sagaz que provocará a mudança na vida de um bilhão de pessoas. Uma visão muito mais voltada pra fraternidade do que para a infinidade de zeros que possa se juntar no banco.

Essa parte é inteiramente aderente ao que o Espiritismo explica sobre uma das provas mais difíceis de serem enfrentadas: a riqueza. No capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo encontra-se bem assentada essa ideia de que os ricos devem saber utilizar sabiamente o produto da riqueza, não se apegando aos bens terrenos. Quando mais pessoas usarem a genialidade e o esforço pra produzir riqueza pensando nos outros, todos serão menos pobres aos olhos do maior investidor que já passou pela Terra. Jesus.

E não é só.

A própria inteligência artificial, tão comentada no curso, acabará concluindo o que o orgulho do homem tem resistido até o momento: a vida espiritual. Um lampejo disso, reportado na revista Superinteressante, foi o uso de redes neurais em apenas 9 das mais de 400 obras do médium Chico Xavier a fim de checar se havia estilos diferentes entre si. Conclusão até aqui do estudo?

A psicografia segue como uma questão de fé. Mas se o estudo atesta algo, é a genialidade do médium. Escrever o volume de texto que ele escreveu, com personas comprovadamente distintas, mas uniformes entre si, não precisa nem ser sobrenatural para ser absolutamente impressionante. Ou, como colocou Monteiro Lobato, “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, então ele merece ocupar quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras.”

Outro exemplo, dessa vez fora do contexto do curso…

Como disse, é propalado na Doutrina que o Mundo Espiritual está sempre um passo a frente da gente aqui. Nesse link você encontra uma evidência categórica desse ponto, em que se compara o saber atual sobre a glândula pineal com aquele já disseminado na literatura espírita pelo autor espiritual André Luiz – com quase 50 anos de antecedência.

No seu ritmo, dentro da parceria buscada entre ciência e religião, a humanidade colherá as sementes de um novo futuro. É saber arar…

 

 

 

 

 

 

 

 

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