Rafael Martins (6 minutos) – O Espiritismo fornece um contundente arsenal para a valorização da Vida. Motivos muito mais fortes e racionais do que os 13 listados por Hannah Baker para justificar o seu suicídio. Aliás, mesmo que ela chegasse a um número incontável de motivos, 1% de Doutrina Espírita lhe bastaria para viver e lutar.

Pra quem tá boiando, 13 Reasons Why, novo seriado da Netflix, narra a história da adolescente  Hannah Baker (17 anos), que antes de pôr fim à própria vida, grava uma série de fitas cassete contando os 13 motivos que a levaram a tomar a decisão.

Muito tem se comentado acerca dessa série em virtude da contundência com que o polêmico tema do suicídio é tratado.

Em linhas gerais, os críticos reprovam tal produção em virtude do desatendimento a orientações da OMS já que o novo sucesso da Netflix romantiza e racionaliza o suicídio, além de explicitar o método de execução da infeliz jovem.

Outra crítica advém do efeito Werther, segundo o qual ter-se-ia um input “inspirador” o compartilhamento de uma história de suicida entre aqueles já fragilizados mentalmente.

A esse respeito, o Espiritismo já anotava (questão 459 OLE) que a influência espiritual se dá em um nível tal que: de ordinário são eles que vos dirigem. Isso respalda as críticas comentadas acima, já que pessoas debilitadas, mais propensas a sugestões infelizes, também podem vir a assistir o seriado e sintonizar com aquela baixa vibração.

Entretanto, o fato é que o seriado está aí. A segunda temporada dele também já já estará. Pensemos então no que tirar de bom de tudo isso. Sempre há um aprendizado a ser buscado…

Primeiramente, vejamos alguns ensinamentos da Doutrina Espirita para os casos de suicídios conscientes diante de situações aflitivas da vida – exatamente como ocorrido com a Hannah.

Em O Céu e o Inferno, o relato do Suicida da Samaritana contém duas singelas frases que dizem muito da relação custo/benefício em se tirar a própria vida.

Estou abandonado. Fugi ao sofrimento para entregar-me à tortura. 

(…)

Sinto os vermes a corroer-me.

 

Daí, dá pra se imaginar que se a segunda temporada retratasse a vida de Hannah na chegada ao Plano Espiritual teríamos um filme de terror, uma bagaceira muito mais chocante que os 3 episódios com cenas fortes da primeira temporada.

Mais que isso, essa temporada provavelmente se arrastaria pelo tempo de vida que a jovem tirou de si mesma. Alguns anos ou décadas pra frente e talvez a Hannah buscasse algum médium para elencar “A Thousand reasons Why – Mil razões para NÃO se matar“…

Já nO Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo V (Bem-aventurados os aflitos – O Suicídio e a Loucura) explica-se que:

A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio; ocasionam a covardia moral.

Curioso reparar a completa ausência de Deus no seriado. Ninguém sequer fala essa palavra. Sim, eu chequei isso.

Qualquer forma de religação com o Criador não fazia parte da bolha criada por Hannah. Não houve espaço para práticas de caridade dentro do denso enredo. Quem sabe se Hannah reparasse também a dor do próximo e não teríamos algo diferente…

Ademais, vendo o microcosmo da realidade social de Hannah, percebe-se a importância em se incluir o hábito de cuidar da Saúde Emocional desde pequeno. Mais que isso, precisamos ter uma Educação Digital. Aprender a respeitar todos também pela via da internet. Colocar o filho no inglês, na natação e no judô não resolve esse vácuo. Terceirizar integralmente para um terapeuta também não resolve.

Em O Livro dos Espíritos (questão 943) comentando quanto a origem do desgosto pela vida  (sem motivo aparente) indica-se que ociosidade, falta de fé e saciedade são o nascedouro desse problema. Fiquemos atentos e vigilantes para com os nossos amados. É por conta desses três ingredientes que psicólogos/psiquiatras não têm mais agenda pra lidar com tanta gente com depressão.

A mesma obra – O Livro dos Espíritos – aborda de maneira enfática o que se esperar de suicídios como os de Hannah:

Pobres Espíritos, que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém, daqueles que esperam a salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso, ou fortuna! O acaso, ou a fortuna, para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por um momento, mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade dessas palavras

Fora das Obras Básicas, no romance “Memórias de um Suicida” encontramos o relato trágico e didático do escritor português Camilo Cândido Botelho, que pôs fim à própria vida com um tiro no ouvido por não saber lidar com a cegueira que lhe chegou na velhice.

Em tal obra fica claro que os suicidas são completos forasteiros no Mundo Espiritual. Ninguém os esperava por lá. E no Plano Maior acabarão por se ligar, pelas ondas mentais do sofrimento/dor/angústia/falta de fé/frustração, a outros irmãos em situações semelhantes.

Imagina a vibe de um colégio inteiro só de Hannahs. E todos esses “estudantes” tendo um enorme desapontamento como sentimento comum.

Na série, a protagonista vai se privando da Lei de Sociedade, se escondendo atrás de 13 ideias tão míopes quanto irracionais do ponto de vista espiritual. É cada vez mais uma forasteira no colégio e mesmo na própria casa.

A propósito, dentro da lógica do seriado, talvez fosse mais sensato ter mais pra frente algo como “13 reasons why – a origem”, pra explicar um pouco melhor a responsabilidade dos pais, bastante desatentos e omissos à rotina da única filha. Pais esses que enfocam a justiça dos homens ao longo do seriado, numa espécie de excludente de culpabilidade por conta do bullying sofrido pela filha. Desconheciam o peso do tribunal da consciência. Colocar a culpa no colégio é mais fácil. Aliás, a trama envolve um sem número de jovens com pais desatentos/omissos/negligentes que de certa forma influenciam na péssima índole de alguns jovens cheios de si.

Outro ponto interessante. A Hannah também não comenta nada sobre si mesma. Nada a ponto de justificar uma fita cassete exclusiva enfatizando a sua fraqueza,  sua responsabilidade naquilo tudo. Era lúcida e pôde empregar o seu Livre Arbítrio como bem entendeu. Em nenhum momento você a vê tentando se reerguer além de o simples corte de cabelo. Alguns momentos mostram uma singela tentativa de ajuda quando ela “pede” limites aos pais e eles não dão a mínima e sequer percebem o sofrimento da filha única.

Fazendo analogia com a lógica de série, é como explicar toscamente um pênalti perdido sem em nenhum momento mencionar nada do cobrador da penalidade. Culpar gramado, apito da torcida, olhar do goleiro, salário atrasado, chuteira apertada, vontade de ir ao banheiro, não o eximirão de ter que voltar a campo e enfrentar o mesmo adversário. Mas antes disso, você precisar se reconhecer como jogador.

Devemos usar nosso Livre Arbítrio e o máximo de nossa maturidade e sensibilidade para expor temas delicados como o suicídio. Não falar sobre isso não tem adiantado muita coisa. Especialmente porque espíritos  infelizes (encarnados/desencarnados) têm sido muito mais explícitos em suas investidas, como no exemplo do jogo da Baleia Azul que tem seduzido jovens em situações difíceis e de isolamento a tirar a própria vida.

A racionalidade do Espiritismo mostra que sempre há a um resultado pior, mais doloroso e mais frustrante diante de suicídios semelhantes ao de Hannah. Com isso, pouca importa quantos motivos vocês tem pra reclamar da vida. Continue a viver ou mesmo a sobreviver porque Deus não dá fardo maior que o que suportamos. Peça ajuda, tente mais uma vez! Por quê não tentar?

Em nenhum caso suicídio será uma receita de bolo. Nem precisa perder tempo atrás dos ingredientes. Nada do que você vivencie lhe autorizará a atentar contra a própria vida. Afinal de contas, ninguém quer uma situação ainda pior pra si mesmo.

Devemos começar a inverter o nosso mindset pessimista e que despende um monte de energia repetindo coisas tristes e passar a buscar soluções, alternativas, bons exemplos.

A começar, tire a Baleia Azul da sua cabeça e pense em uma Baleia Rosa. Sim. Há sempre uma resposta do Bem que vale ser difundida. Nessa brilhante iniciativa tem-se um jogo com atividades que valorizam a vida, indo desde “pensar na situação que mais lhe deixou feliz na vida”, “fazer um novo amigo” e “escrever uma carta do futuro pra si mesmo e só abrir daqui 10 a anos”.

Você também pode dar uma olhada no show desses dois pequenos para tentar ter mais empatia para com aqueles que sofrem bullying. Não só isso, pode ver como a arte casada com o compartilhamento da dor podem ajudar pessoas em tal situação. É preciso ter jogo de cintura e presença de espírito perante os momentos complicados.

Pais e Amigos, prestem atenção em cada palavra desse vídeo do Simon Sinek. No colégio, no mercado de trabalho, na vida particular. Muitos são os cenários em que o jovem precisa aprender a lidar com frustrações para se agigantar e não se apequenar.

Frustrações fazem parte essencial do nosso crescimento e em alguns momentos vemos no seriado uma fuga dos jovens do momento “high school”, como se quisessem pular da infância para a fase adulta sem ter que passar pelo ensino médio. Acontece que a vida é feita de fases… e cada uma tem aprendizados para a nossa formação adulta… o que aconteceria se não fosse uma mudança paulatina da infância para a vida adulta?

Tem-se aqui um tutorial, um passo-a-passo da descrição dos principais problemas dos millennials acompanhado de sugestões para enfrentar cada desafio. E não se iluda. Tudo demanda muito esforço, muito tempo para surtir o efeito positivo esperado.

Com um pouco disso tudo que escrevi e talvez você Pai/Mãe/Amigo não precise ter medo do seu filho/amigo jogar Baleia Azul. Até porque qualquer pessoa sadia mentalmente, mesmo conhecendo o jogo, sequer cogitaria de jogá-lo.

A esse respeito, podemos resgatar a falta de Deus, de atividades em prol do próximo presentes no seriado para, valendo-se desse artigo, destacar que:

A base de um cérebro saudável é a bondade, e pode-se treinar isso

Buscando o Bem e buscando Ajuda fugiremos da solidão, aprenderemos a lidar com nossas dores, não mais seremos forasteiros terrenos, muito menos forasteiros do mundo espiritual.

Em suma, não há como ser forasteiro sideral. Todo mundo tem o seu cantinho, o seu papel nesse universo, mas precisa primeiro se reencontrar com si mesmo, a fim de perceber o seu propósito nesta Vida. E isso é uma luta diária para todos nós.

 

 

 

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