Rafael Martins 

(3 min) Há anos no cativeiro e com uma frequência bastante irregular nas comunicações vindas do sequestrador mentor do crime. A agonia é tanta que nem dá pra lembrar mais direito quando a filha estava protegida e junta dos pais sorrindo. “É uma enorme e bem aparamentada quadrilha” sempre lembra um dos detetives que há muito tempo está a frente das escassas e espaçadas negociações.

Contudo, outros cenários surpreendentes e tangentes à investigação surgem no já complicado contexto da família que vai morrendo aos poucos com a pouca chance de rever a amada filha.

Há agora a possibilidade de se desmantelar uma série de crimes imputados a mesma quadrilha, que vem lesando outros lares, empresas e mesmo outras organizações criminosas. Entretanto, há uma condição bastante pesada para esse desejado efeito dominó.

As últimas peças não podem ser tocadas. Nem o sequestrador da linda adolescente tampouco a própria jovem terão suas desfechos como os sonhados pelos pais. É a contrapartida exigida pelo impiedoso, inteligente e implacável sequestrador que detém informações valiosíssimas.

Para entregar inúmeros comparsas ele quer poder usufruir, sem qualquer perturbação, da liberdade, e continuar abusando do corpo daquele tesouro que guarda já há alguns anos amarrado a pesadas correntes.

Escandalizado, o pai quase vira um criminoso impulsivo ao entender que estavam cogitando dessa possibilidade nefasta. Mais ponderada, a mãe procura fazer com que todos os detetives tentem se colocar em seu lugar.

Não há qualquer lógica em se abrir mão da minha filha que está lá viva e sendo abusada! Não basta a sua voz gravada. Não basta um pedaço de roupa com seu cheiro ou mesmo um pedaço da orelha dela pra me assustar. Eu quero a milha filha de volta por inteiro.

Acontece que diante do previsível e estrondoso impasse causado pelo cruel dilema, o sequestrador chefe dá seu jeito de ir noticiando outros crimes que, supostamente, já poderiam ter sido evitados caso aceitassem a sua indecorosa proposta. Inclusive, outras lindas jovens vão sumindo para debaixo da asa de perversos malfeitores.

O que fazer?

O bom senso indica que se deve, antes de tudo, concentrar mais esforços para antecipar os próximos passos do sequestrador chefe e não deixar que família nenhuma sequer ouça propostas nesse sentido.

O próprio detetive líder confessou a um antigo colega que esperava uma proposta no sentido de redução da pena por parte do sequestrador. Nunca contou com tamanha audácia…

“Pra uma redução expressiva na pena exigiríamos informações que já desmantelariam muito do atual sistema criminoso. E mais que isso, a pobre da menina retornaria ao lar.” Era isso o que pensava um experiente detetive antes de atender a última ligação do estrategista criminoso.

Foi isso o que o mesmo detetive usou como contraproposta ao abusado mentor do crime. Sem sucesso. O cara só joga no all in e não aceita ir pra cadeia nem por um dia com o carma de sequestrador e estuprador. Há implicações dolorosas e “purificadoras”.

Nessa hora, é preciso lembrar que sempre há a possibilidade de não se negociar e simplesmente buscar aprimorar-se, pedir ajuda e aplicar a lei mostrando que o crime jamais pode compensar. Afinal, o que não vão pensar as mentes criminosas  ao verem indo pra frente acordos nessas condições?

Eu não fiquei maluco. O texto é de auditoria mesmo.

Para os curiosos, vale o garimpo para repassar a bizarra história acima com os personagens abaixo listados.

TCU, MPF, PF, acordo de leniência, superfaturamento do cartel, inidoneidade, interesse público, construtoras corruptas e um inesquecível contexto da Operação Lava Jato.

 

 

 

 

 

 

 

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