Guilherme Costa

(5 min) Inspirado nos Deuses gregos Chronus e Kairós acredito ser a hora de fazer algumas reflexões. Resumindo quem foram os dois na mitologia grega, Chronus é o deus do tempo quantificado (segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos) e Kairós é o deus das oportunidades, do momento adequado oportuno, que só pode ser agarrado pela frente, olho no olho, ou seja se ele passar por você é impossível traze-lo de volta, porque ele é muito rápido tendo asas nos calcanhares e nos ombros. Dadas as devidas apresentações (de maneira bem resumida) comecemos.

Tenho uma relação muito boa com o tempo, como já disse em outros textos. Entendo sua necessidade em minha vida e respeito-o. Se quero um dia ser um bom gaitista, com o tempo e força de vontade alcançarei isso. Vejo que todo bom instrumentista na minha humilde opinião tem no mínimo 10 anos de prática do instrumento. Existem pessoas que se tornam boas em tempos menores, acredito que a força de vontade somada a organização do tempo e otimização do mesmo podem trazer isso. Somado também a algumas horas a mais que os outros devido a outras vidas, mas não percamos o foco. Relações felizes e estáveis que no decorrer do tempo tornaram-se sólidas pelas experiências, dificuldades e conquistas que passaram juntas.

Percebem que minha fala diz muito sobre duas vertentes: paciência e resistência. Uma paciência inteligente (como uma mestra minha citou) que te coloca no decorrer desse tempo entre o início e o resultado de maneira ativa e consciente, respeitando essa entidade e confiando que sempre o melhor está por vir ou já está acontecendo, o seu melhor desempenho e o melhor de Deus. A resistência é a capacidade de suportar e aprender com os ensinamentos que esse deus Chronus pode nos oferecer no decorrer dos anos. Com eles ficaremos mais fortes, mais sábios, mais maduros. Com eles ficaremos mais serenos, mais experientes e mais conscientes. Só o tempo traz essas coisas para nós e nossa vontade de querer aprender, aí entra o Kairós.

Já esse segundo curupira que temos hoje, chamado Kairós, são as oportunidades, os momentos que se eternizam em nossas vidas. Sabe aquelas férias que se nunca acabaram em suas lembranças por conta dos momentos bons, lugares legais e pessoas fantásticas? Só de ouvir aquela música você já revive tudo? Sabe aquela oportunidade de algo que você tanto queria que apareceu e caiu como uma luva  naquele momento? Sabe aquela outra coisa que você tanto tentou com inúmeros fracassos que em uma hora oportuna aconteceu, seja com mais ou menos esforço? Sim, isso tudo é “Kairós da massa” agindo sobre ou com você. Lembrando que essas oportunidades ou momentos passam e nunca mais voltam. Por mais parecido que seja a situação, convite ou oportunidade, sendo em momentos diferentes, ocasiões diferentes e por pessoas diferentes (estamos mudando o tempo todo) faz com que sejam outras ou novas oportunidades.

Li um pouco sobre a abordagem cristã desses deuses e vi uma separação dos dois. Dizendo ser o tempo de Kairós o tempo de Deus para os acontecimentos. Ou seja, aquele velho papo de aconteceu porque Deus quis ou aconteceu no momento certo. Para mim isso é mais do que claro, pois acredito que uma folha não cai de uma árvore sem o consentimento do “Fera Neném” e dentro do pouco estudo que fiz sobre o assunto acredito que não há como fazer separação desses dois tempos ou dois deuses. Como assim, Gui? Vou explicar. Na minha vida sempre senti uma mão me carregar, literalmente isso. Exemplo? Sonhava em fazer algo, fazia mil planos, contava pra mil pessoas e tudo o que eu queria era aquilo, entretanto sempre fui muito atento aos sinais do “Fera”, quando percebia que outro caminho se abria, diferente do que eu planejava eu apenas confiava e seguia. No fim, era o melhor caminho a ser tomado, em todas as ocasiões foram assim.

Querem exemplos práticos, minhas palikukas e meus xuxaneks? Queria fazer medicina, porque no período que fiquei na U.T.I. me apaixonei pelo trabalho de lá. Nesse meio tempo comecei a jogar tênis de mesa. Aos 17 anos, depois de medalhar em alguns torneios fui convocado para jogar um parapanamericano juvenil, em Bogotá, na Colômbia, meu primeiro torneio internacional. Senti que era a hora de escolher entre ser atleta e ser médico, optei pelo esporte e me tornei um medalhista paralímpico 6 anos depois. Outro exemplo foi que já tinha minha banda há uns dois anos e ganhei um bongô (dois pequenos tambores usados na percussão). Sonhava tocando os bongôs e em casa vi vídeos no youtube, falei com professores de percussão. Até entrou um percussionista na banda e sonhava tocando com ele. Alguns meses depois fomos gravar nossas músicas e numa conversa com o dono do estúdio ele me sugeriu a gaita para tocar, esse universo se abriu pra mim e hoje toco gaita feliz da vida. Último exemplo foi quando não classifiquei para as paralimpíadas de Londres 2012. Chorei por três dias. Prometi para mim mesmo que iria na próxima. Por conta de não ter ido aos jogos fiz um curso de autoconhecimento, por conta desse curso fui apresentado para o presidente de uma fábrica de cadeiras de rodas que gostou de mim indicando-me para uma entrevista de TV. Por causa dessa entrevista um empresário (e hoje grande amigo) de São Paulo me deu uma cadeira importada de 14 mil reais. Exemplos sobre isso não faltam em minha vida.

O segredo super secreto que quero compartilhar com vocês hoje, minhas palikukas e meus xuxaneks, e que eu espero que vocês contem para todo mundo, é o seguinte: Tempo é uma questão de consciência. Se você estiver presente no tempo atual, respeitando ele e agindo com ele as coisas irão acontecer, tudo para nosso progresso. Se muito estudarmos, muito saberemos. Se muito esforçarmo-nos, mais longe chegaremos. E quando acontecer aquilo que você tanto esperava, desculpa você nunca estará pronto o suficiente (isso fica pra outro texto) , mas você pode ter a chance de agarrar aquela oportunidade ou aquele Kairós ou aquele chimbashisk que a vida lhe ofereceu, porque Deus quis e porque você quis também.

Sermos marionetes do destino não é tão bonito quanto termos livre arbítrio. Portanto moçada mãos à obra. Agradeça a Deus, por tudo porque ele é tudo e está em tudo. Seja Chronus, ou Kairós, seja na água que bebemos ou seja na comida que nos sacia a fome. Por esse motivo disse que é impossível separar essas definições, o Deus que eu acredito quer me ver aprendendo no decorrer de milênios, caindo e me aprimorando, sorrindo e deixando-me errar, e ao mesmo tempo quer me dar as melhores oportunidades deixando em minhas mãos a escolha de agarrá-las ou não.

Um comentário em “Dois tempos…

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