Rafael Martins

(3 min) Quais foram os espíritos que habitaram os corpinhos daquelas crianças usadas pelo Cristo no “Deixai que venham a mim as criancinhas (…)”? Embora Jesus se valesse nessa parábola de uma característica comum aos pequenos – candura e inocência -, havia muito de especial naqueles irmãozinhos que perambulavam por ali…

Em Memórias de um Suicida (médium Yvone Pereira) e Ante Novos Tempos (médium Divaldo Franco) há comentários sobre Anibal de Silas e Inácio de Antióquia.

Essas duas personalidades tiveram o merecimento de protagonizar um ensinamento crístico, sendo tocados, abraçados e abençoados pelo próprio Mestre na narrativa de Marcos comentada no capítulo VIII do Evangelho Segundo o Espiritismo. Se liga nos efeitos desse contato com Jesus na vida desses dois.

Anibal é muito instigante pois quebra uma expectativa, quase um paradigma meio velado na Doutrina Espírita.

Deixa eu explicar melhor isso pra não parecer heresia…

Anibal, espírito muito evoluído, integra um conselho composto por três figuras da maior imponência no Hospital Espiritual Maria de Nazaré. Mas a sua ascensão moral vem tão somente da sua trajetória. Ele não tem uma voz gutural, nem feição sisuda, ou caminhado de ancião, tão pouco se vale de vocabulário requintado ou de um olhar senil e invasivo.

Na real, Anibal preferiu ao longo de seu crescimento como Cristão focar no auxílio aos jovens e crianças. Por conta disso, é um espírito de aparência juvenil. Juvenil mesmo. Quase um Peter Pan que atendeu ao convite de Jesus para atuar junto de Maria acolhendo os espíritos suicidas em momentos decisivos antes do novo mergulho na carne.

Para você ter uma ideia do quilate evolutivo desse perispírito em forma de adolescente, dá uma olhada na rogativa do Mestre chamando ele pro trampo pesado:

[…] Até que um dia, glorioso para o seu Espírito de servo fiel e amoroso, ordem direta desceu das altas esferas de luz, como graça concedida por tantos séculos de abnegação e amor: – Vai, Aníbal… e dá dos teus labores à Legião de Minha Mãe! Socorre com Meus ensinamentos, que tanto prezas, os que mais destituídos de luzes e de forças encontrares, confiados aos teus cuidados… Pensa, de preferência, naqueles cujas mentes hão desfalecido sob as penalidades do suicídio… Entreguei-os, de há muito, à direção de Minha Mãe, porque só a inspiração maternal será bastante caridosa para erguê-los para Deus! Ensina-lhes a Minha palavra! Desperta-os, recordando-lhes os exemplos que deixei! Através de Minhas lições, ensina-os a amar, a servir, a dominar as paixões, apondo sobre elas as forças do Conhecimento, a encontrar as estradas da redenção no cumprimento do Dever, que para os homens tracei, a sofrer com paciência, porque o sofrimento é prenúncio de gloria, alavanca poderosa do progresso… Abre-lhes o livro das tuas recordações! Lembra-te de quando me ouvias, na Judéia … e ilumina-os com as claridades do Meu Evangelho, pois é só isso o que lhes falta!

Daí você já imagina o naipe da outra criancinha.

Órfão de pais e vivendo da caridade pública numa época sem Ongs, sem creches, sem ensino gratuito, sem pé de manga e sem ps4. Esse era o contexto do menino Inácio, que contava então com apenas 4 anos no dia da parábola sobre as bem aventuranças dos puros de coração.

Só que Jesus morreu…

Daí, João, que já cuidava de Maria em Éfeso, retornou a Cafarnaum e reconheceu quatro anos depois da crucificação o mesmo menino de perninhas magras que Jesus pusera no seu regaço.

O mais novo dos apóstolos não teve dúvidas e acolheu aquela criança. Ensinou-a tudo o que sabia. Despontava assim um dos maiores cristãos da Antiguidade Oriental, fiel seguidor de Paulo, Pedro e de João.

Por ser “muito cristão” nas suas atitudes acabou condenado às feras no Circo Máximo de Roma. O lance é que ao entrar na arena estava tranquilão em se sacrificar pela causa do Cristo. Tranquilo e até mesmo sorridente.

Geral morreu destroçado pelos animais famintos. Inácio não. Ficou lá sozinho, todo vivo e contrariado em não ter consumado o ato extremo.

Apareceu então um anjo e lhe deu um recado, no mínimo, surpreendente. Uma verdadeira chacoalhada na alma. Ao mesmo tempo, o tom dessa mensagem – reproduzida por Joanna de Angelis – sinalizava o potencial do espírito que um dia foi aquela criancinha de 4 anos. Se liga:

“Inácio, morrer é muito fácil, perder o corpo numa só arremetida é um testemunho pequeno para ti. Tu, que tanto amas Jesus merece algo mais penoso e magoador. Tu viverás. Morrer no momento, leva-te ao paroxismo da abnegação, mas viver entre pessoas que não te compreendem, porfiar quando os outros desconfiarão de ti, estar firme no ideal no momento de dificuldades, eis o holocausto maior. O Mestre deseja que vivas, para que a Sua mensagem saia da tua boca e experimentes o escárnio sem delinquir, experimentes a perseguição continuada sem desanimar. Porque esta é uma morte rápida demais para os que são bons e fiéis.”

Inácio seguiu à risca o script.

Essas foram duas das criancinhas que ambientaram a famosa cena e que, por um pedacinho de suas histórias, iluminam o caminho das crianças espirituais que passam os olhos por aqui…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 comentários em “Quem eram as criancinhas de Jesus?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s