Rafael Martins e Guilherme Costa

(5 min) – A onda de empreendedorismo que vem se alastrando talvez tenha mais de Espiritismo do que se imagina. Contudo, é preciso se esforçar para começar a enxergar as peças desse tabuleiro como algo permitido e orquestrado por um Plano Maior.

Entende-se Teologia do Empreendedorismo como o movimento de forte incentivo à abertura do próprio negócio. Mistura isso com tecnologia, internet, economia compartilhada e pronto. Você tem uma praticamente uma seita, fruto do atual momento do capitalismo.

Responsabilidade. Saber que o “dar certo” depende de você. De alguma forma ser tocado e por as mãos à obra. Reverter o tempo de reclamação para ação. Tudo isso pode ser entendido como o principal dogma dessa nova teologia.

E tal dogma tem a sua relação com o Espiritismo.

Convencer um monte de gente de que cada um é protagonista da própria vida, ainda que sob um viés materialista, é um primeiro passo para que, mais tarde, esse conceito de auto-responsabilidade também alcance a faceta espiritual.

E nessa escadaria, há enormes ganhos para a humanidade.

Na real, esse “empreender com o martelo da internet” serve para catapultar o acesso ao conhecimento e a novas habilidades, o que acaba por tornar exponencial o que antes era linear. Duvida?

E se eu te disser que um guerreiro Massai no interior do Quênia com um celular tem uma comunicação melhor do que o Presidente Reagan há 25 anos atrás, e que se tal celular tiver conexão ao Google ele tem acesso a mais informação do que o Clinton teve?  Muito mais dessa Abundância foi catalogado pela visionário Peter Diamandis. Depois desse livro você não tem mais como ser pessimista.

Imagine só que uma avalanche de novos empresários, abduzidos pela opção de responder somente a si mesmo, dão oportunidade para que mais pessoas aprendam inglês, finanças, meditação, coaching, alta produtividade, negociação, criatividade e serviços de jardinagem; publiquem livros sem editora; encontrem pessoas com interesses em comuns, etc.

Todos esses exemplos já compreendem negócios reais de empreendedores de sucesso, os quais têm mudado a realidade de pessoas ao tornar esse planeta um lugar mais isonômico no que tange ao ponto de partida.

Com isso, pelos efeitos da teologia do empreendedorismo, fará sentido para cada vez mais pessoas hastear o brasão da meritocracia, já que o caminho, como sempre, dependerá dos esforços de cada um.

Quem sabe assim as timelines do Facebook vão dar um tempo em expor, do lado dos extremistas liberais, casos de alguém sem qualquer perspectiva, que de tanto tentar, estudar, suar, trabalhar, vingou na vida. Também espero ver menos, da parte dos extremistas de esquerda, menos exemplos bisonhos de crianças sem oportunidades carregando uma carroça nas costas. Eu já disse ali em cima: devemos sair da reclamação e partir para a ação que impacte melhorias e parar de querer estar certo, combatendo em uma discussão inócua, fingindo ser comentarista “socioantropoeconomicofilosofico“.

Assim, “Responder a si mesmo” nessa nova teologia está para o papel da consciência no Espiritismo. Papel este singular, já que representa o local onde as Leis de Deus, que cada um consegue comportar, estão escritas.

Já a Meritocracia está para a Espiritocracia, tão logo percebamos que somos seres espirituais numa experiência carnal. Não o contrário. E nesse aspecto, Deus não ia dar mole: todos nós fomos criados simples e ignorantes. Saindo do mesmo ponto de partida (0, 0) no que seria um plano intelectual/moral.

E tem mais.

A teologia do empreendedorismo jamais permitirá que você culpe o Capitalismo vigente por um fracasso. Isso seria uma heresia. A culpa será sua, que comeu mosca em algum aspecto e terá que aprender com a própria derrota. Aliás, no Vale do Silício há eventos de start-ups em que se reúnem fracassados, porém resilientes, em busca de investidores.

E nisso, temos outro ponto em comum com o Espiritismo, que enquanto religião não entra no tribunal como réu junto com ninguém. Também no Espiritismo, por meio da análise crítica é que percebemos nossas fraquezas morais e nos capitalizamos para a reforma íntima dentro daquilo em que falhamos.

Falar do insucesso é inevitável. Claro. Até porque essa enxurrada de novos empreendedores vai inflar o mercado em algum momento. Em todo o caso, como já claramente assentado nO Livro dos Espíritos, persistirá a desigualdade decorrente do merecimento e não haverá espaço pra todo mundo. Os melhores primeiro.

Daí que muita gente vai ter que aprender a reconhecer que não nasceu pra isso de ser empreendedor e mudar o mundo. E ao menos nesse ponto eu concordo com o vampiro historiador palestrante e profissional do sarcasmo Leandro Karnal.

A dinâmica desse futuro atropelará vários entusiastas, além de aumentar descomunalmente a rotatividade dos negócios e líderes presentes na vitrine global.

Haverá choro e ranger de dentes pra muita gente que ficar fora da estatística do sucesso.

Daí, será que nesse ponto, esses que perderão a batalha e a guerra, valendo-se das mesmas ferramentas, ainda acreditarão integralmente na responsabilidade total e intransferível de cada um? No mínimo, será saudável dilatar o prisma sob o qual se analisa a responsabilidade.

Eu especulo que a Lei do Progresso seguirá com a sua espiral irrefreável a ponto de oferecer um novo degrau de avanço. Agora pela ótica da imortalidade.

O êxito do projeto Gilgamesh (de tornar o “homem” imortal ou pelo menos amortal) chegará pelo constrangimento moral dos fatos e não pelo sucesso de um laboratório qualquer. A maior descoberta científica de todos os tempos simbolizará o cachorro perturbado que corre atrás do próprio rabo.

Pois é…

Quando todo mundo entender que tem um atributo que muito super-herói dos quadrinhos não possui, talvez seja mais fácil engolir o próprio ego numa espécie de compensação interna.

“Fiz merda. Pelo menos sou imortal”. A lógica mais rudimentar permite você entender que terá como consertar as besteiras que fez.

Aqui não tem como não ressuscitar o Tio Ben (Homem Aranha) com sua famosa frase: Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.

Em outras palavras, quando estivermos bem maduros no degrau materialista da responsabilidade, teremos condições de enfrentar, com maiores taxas de sucesso, o patamar adiante, da responsabilidade pra quem é um ser espiritual, imortal e destinado a ser feliz por meio da felicidade dos outros.

E Jesus? Claro que Governador do nosso Planeta não está indiferente a tudo isso. Mostrar a porta estreita pra nós tratou-se de um grande empreendimento, ainda em curso.

Sabemos muito pouco do que Ele fez até começar a pregar. Também sabemos que o Mestre se valia dos costumes da época para fazer sua mensagem ser entendida pelos que tinham ouvidos de ouvir.

E com os costumes de hoje… Como seria?

Em que Jesus daria um like? O que Ele compartilharia? Acho que essas duas perguntas são mais profundas do que essas correntes que mendigam likes pro mesmo Cristo.

Imagine um canal no youtube de Jesus? Ele nem precisaria sair de casa pra alcançar o mundo. Por outro lado, para as releituras desses sermões, será que haveria público?

O que não esperar de até 140 caracteres do Filho do Altíssimo? Talvez a sua mensagem não se afogasse em meio às correntes da zoeira e do deboísmo, das quais eu mesmo sou parte.

E se o Messias fosse se valer da escalabilidade da internet para melhor orientar suas ovelhas, o que ofertaria aos olhos do mundo? Quais seriam seus sócios? Quem investiria nesse novo negócio?

Afinal, será que os historiadores do futuro diriam mais uma vez que Ele não foi compreendido pelos homens do seu tempo?

3 comentários em “Mundo Regenerado – Teologia do Empreendedorismo

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