Esse é um texto que quero escrever há um tempo e graças ao super bowl desse ano acho que agora ele sai.

Se você não viu o super bowl, desculpa, você perdeu um dos melhores jogos da história e se não viu os noticiários, CUIDADO tem spoiler nervoso vindo!

Os Patriots venceram e tentarei ser sério de agora em diante. Uma vez me falaram que eu tinha que vencer os outros para ser atleta, naquela época vivi um dualismo gigantesco: viver a competitividade e pregar a fraternidade. Entre esses vales e abismos descobri um caminho que fez e faz sentido pra mim.

Percebi que um dos motivos do esporte existir é de refletir e ser um reflexo da vida comum, mesmo sendo situações incomuns e pessoas mais incomuns ainda. Como assim, Gui? Há uma correlação direta da vida com o esporte. Disciplina. Técnica. Aprender com erros. Poder de decisão. Por aí vai. E encontramos inúmeros exemplos. Entre eles a competitividade, mas se você ainda enxerga o esporte e a vida de uma maneira micro, você verá essa competição ligada ao outro. Dentro do que aprendi, você pode perceber que essa competição é e sempre será interna.

Por mais que você esteja jogando contra alguém ou numa competição, a única coisa que você pode controlar são suas próprias ações. Esse é o único parâmetro que temos algum tipo de controle para melhorar nosso desempenho. Mas, Gui, você está me dizendo que não devo me importar com o outro numa competição? Sim e não. Sim, porque o foco deve ser em você, nas ferramentas que trouxe e na preparação feita para todas as situações. Não, o foco no adversário deve ser feito, pois há uma leitura de jogo que deve ser feita. Nuances, estado psicológico, hora de ser agressivo e hora de deixar o jogo rolar. Entretanto, ainda assim o foco deve estar em nós para decidirmos de maneira consciente o que devemos fazer. Quando o placar assinala que você derrotou um atleta pela primeira vez, acredite, você antes de mais nada derrotou a sua versão de ontem.

Uma prova disso foi o super bowl desse ano. Após um primeiro tempo quase perfeito para os Falcons contra os Patriots, terminando 20×3, Tom Brady (quarterback dos Patriots) foi para o vestiário desolado e bravo ao mesmo tempo. Seu poder de auto-observação e de escolha são tão grandes que no segundo tempo voltou outro homem para o jogo, acreditando que era possível ganhar de Golias, mesmo sendo um pequeno Davi. Percebendo um pé no freio do adversário resolveu ser mais agressivo e o carro passou de marcha. Não virou o jogo sozinho, mas seu olhar perante o próprio time foi de campeão (lembrou Ragnar dos Vikings) e incendiou a todos.

Sua verdadeira vitória foi contra ele próprio. Sair de um estado de inércia e ainda nadar contra a maré não é algo fácil. Acredito que nada é fácil na vida. Sempre hão de haver prós e contras e sempre haverá nosso poder de escolha perante todas as situações. O jeito de olharmos nossos desafios e nossas escolhas. Apreciar o caminho e não apenas o destino final. Tomar uma decisão e ter certeza dela. Para muitos que ouviram Brady no vestiário aquilo podia beirar a insanidade. Com certeza pra ele a insanidade foi a porta de entrada do sucesso.

Vale lembrar também uma coisa: quantas vezes Brady se frustrou? Quantas vezes ele caiu? Quantos jogos perdeu? Pouco se fala sobre isso, porque só querem vender o produto bonito “PENTACAMPEÃO” ou “5 ANÉIS”, mas lembro que ele é humano e já “ralou bastante o joelho” de tanto cair. Para conseguir minha humilde medalha paralímpica muito chorei e quase desisti várias vezes. Dói ver um sonho por água abaixo. Dói ver tanto sacrifício sem resultado. Não me esqueço de que: foram as lágrimas e dificuldades que me fizeram campeão. Isso vale pro Gui, Brady, Zico, Pelé, Chico, Jordan, zele, palikukas e por aí vai!

Aprendi nessa vida de atleta que o controle é meu, assim como a batalha. O foco deve estar em nós mesmos para só então combatermos o bom combate. Como o espiritismo sempre pregou e confesso que me ajudou muito nas horas de desespero:  “Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más tendências”. Nossos grandes inimigos somos nós mesmos. E para vencer esses, precisamos de paciência e persistência. Um passo de cada vez. Não digo que é fácil, mas não nego que é simples.

Busco vencer-me a cada dia. Conhecer-me mais a cada dia. Amar-me muito a cada dia. Essa construção diária faz a transformação que tanto esperamos. Ainda é tempo de mudar o jogo. Ainda é tempo de fazer uma nova realidade. Ainda que o jogo esteja 20×03 ou que você esteja passando por uma grande dificuldade lembre-se: vai passar. Agora, a escolha é sua de como você escolherá passar por esse momento. Que tal mudar o resultado do seu jogo e se tornar o herói da história? Basta querer. Depois, basta fazer…

Guilherme Costa

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