Guilherme Costa

(3 min) Perguntaram-me o que eu queria passar com esse texto e por estar vivendo um momento de incertezas venho hoje só trazer inquietações. Há um tempo venho observando em mim movimentos que fomentam a arrogância e ao perceber isso estou tentando observar o quanto disso está enraizado em nós, às vezes de forma escancarada, outras vezes de maneira sutil. Aliado a isso entrelaço meu viver num eterno romance com a loucura. Muito questionada e temida por séculos pela humanidade eu a enxergo como a salvação de nós mesmos. Agradeço aos meus momentos de insanidade e inquietações, de grito e tormento, de coragem e afrontamento. Tentarei contrapor essas duas ferramentas que temos e vejamos o que dará essa simbiose.

Quantas vezes temos a arrogância de falar: estou sem tempo. Ao olhar exemplos de pessoas que fazem mil coisas de maneira organizada e coordenada enxergo arrogância e prepotência, mas vou explicar melhor. Uma mãe de 21 anos, com um filho pequeno, que mora sozinha ou recém casada, trabalha 8 horas e estuda a noite. A Guilherme para! Esses casos são raríssimos. Segundo caso, um homem de 30 anos, solteiro, mora sozinho, no exterior, trabalha 8 horas, faz doutorado, medita 40 minutos por dia e a noite toca em uma banda. São exemplos corriqueiros de pessoas que elegeram suas prioridades e organizaram o próprio tempo. A arrogância está em não se organizar e usar essa desculpa simplória de: não tive tempo. Ou de não ser sincero para falar: não foi prioridade. Às vezes a sinceridade dói, até mais em nós mesmos do que nos outros, mas é ela que nos faz enxergar o que está estampado em nossa cara. Qual louco não era sincero consigo mesmo para conseguir atingir o que tanto galgava? Qual louco não chorava de madrugada pela verdade espetada no peito? Porém ao enxugar as lágrimas ele voltou a ter contato com sua essência e deixou-se voar.

Quanta arrogância temos nos nossos julgamentos? Talvez a maior de todas, porque não esperamos nem o próximo sussurrar, para que a condenação já fosse feita. Não quero minimizar esses julgamentos só para pessoas, estendo-o para situações também. Se perdemos algo, já choramos por sermos roubados. Se levamos bolo, já gritamos incompreensão. Se fracassamos, condenamos o carma. Se a equipe ganhou a final, merecia ser chamada de melhor do mundo. Se fizemos algo, clamamos por reconhecimento. Incrível o poder do ser humano de colocar pontos finais. Só não esqueçamos que existem outras pontuações. E esse “q” de loucura soa mais alto quando colocamos vírgulas, exclamações e reticências por exemplo. Quão bonito é colocar algo no lugar que o mesmo pertence. Tentar criar opinião é diferente de condenar. Porque não ver somente o que foi feito como um simples fato, por exemplo: cair, errar, ganhar, sumir, amar. Caso queira um levantamento mais complexo, tente ouvir as várias versões, entender as complexas variáveis e as infinitas possibilidades. Loucura, ajuda-me a enxergar que o que ocorreu foi o melhor que a pessoa podia me dar. Abre meus olhos para ver que o acontecido foi o que Deus quis para mim. Tira essa prepotência de mim de querer ser Deus. Ele sabe o que é melhor para mim e me deu o livre arbítrio para fazer algo com isso.

Agora, não vejo maior arrogância do que dizer: ” vai continuar a mesma coisa” ou “nada vai mudar”. A mudança está atuando o tempo todo sobre tudo. Nada é imutável porque sofre ação direta do tempo e tudo muda o tempo todo. As águas do rio mudam e o transeunte muda com as percepções dele sobre cada situação. Aceitemos que será diferente e que isso é belo. A loucura da mudança traz medo e insegurança. Linda, vestida de vulnerabilidade. Insana, acompanhada do novo. Revolucionária, banhada pela coragem. Enxerguemos como devem ser as situações e vivenciamo-las com essa virgindade do inédito de cada momento. Loucura, ajude-me a enfrentar essa tese agora, pois o amor é imutável. Inteiro. Completo. O que muda é meu entendimento sobre ele. Minha vontade de amar. Quem ama de verdade entende o que digo.

Hoje creio que meu pensar trouxe certos questionamentos. Algumas respostas. Novas visões. Arrogância minha de querer questionar várias coisas. Loucura minha de afirmar outras. Isso apenas é minha opinião, de hoje. Pode mudar, portanto me calo. Sei o que penso, o que sinto e papel nenhum vai ser capaz de expressar isso, ainda assim não desisto de fazê-lo.

Guilherme Costa.

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