Pra começar: será que Ele conseguiria ir a algum lugar? ou a multidão de leprosos da alma da atualidade restringiria a sua mobilidade?

Para o título do texto ter sentido vamos partir da premissa de que ele saiu de um ponto A e foi para um ponto B qualquer. Independente do que seja o “ponto B”, dá pra cogitar (sem a menor intenção de portar a verdade) algumas das posturas do Mestre. Especular para refletir positivamente.

Malas? Pra que? Ele está só de passagem mesmo. A nossa indústria criou muitas necessidades para quem tinha algum vazio a ser preenchido. Jesus é completo desde que O conhecemos por esse nome.

Nada de Museus. Afinal, um Ser que participou da formação da Terra provavelmente não se surpreenderia com nada do que é retratado nesses corredores quase infinitos. Seria redundância e perda de tempo observar o que já Lhe é de amplo conhecimento.

Degustações da culinária local? Imagino que Ele carregaria um saco de frutas por ser mais prático, também mais saboroso e funcional. Difícil conceber o Messias recomendando algum restaurante ou um prato em particular lá no Trip Advisor.

Também não publicaria nada do que o turista de hoje publica. Sejamos sinceros. Quantos de nós inserimos no álbum de fotos daquela mega viagem um anônimo fazendo uma boa ação para outro anônimo. Aliás, você já notou isso no meio das suas férias? No lugar disso, ocupamos esse espaço ao lado de uma obra de arte, diante de um prato chique, ou numa aventura qualquer. Cultura, neh? Não espero que ninguém fique confortável lendo isso. Até porque, qualquer comparação direta com Jesus nos perturba ante a distância quase infinita que nos separa dEle. Penso que hoje em dia, um eventual álbum do Jesus sob um rosto não familiar, não teria tantos likes assim. Talvez se tornasse um viral lá na época do Natal perto do ano 4000 – a humanidade tem o seu delay de aprendizagem…

O roteiro seria o dos mais desesperados. Em outras palavras: procurar lugares com pessoas sofrendo, lembrando-se dos esquecidos. Algo mais aderente com “os sãos não precisam de médicos”. Tem gente padecendo aos bocados. Todos “os pontos B” do mundo contêm oportunidades valiosas. Agora imagine andar por aí de férias só caçando cenas desagradáveis a fim de que você possa tornar menos pior a vida de alguém que mal TE reconhece. Sim, seria muita presunção acreditar que 100% dos terráqueos atestariam ser de fato Jesus dando uma força ali no ponto B. Muitos se perderiam em discussões filosóficas, outros simplesmente diriam “não, Ele não me avisou antes do resto do mundo”. Analistas financeiros debateriam sobre como readequar a carteira de investimentos dada a vinda de Jesus. Uma galera iria atrás só pra garantir uma selfie com o Filho de Deus (que moral não é mesmo?). Outros tantos, mais agarrados a literalidade arqueológica de textos sagrados, contestariam o não emprego de carruagens cintilantes e um espetáculo pirotécnico nesse retorno de Jesus. Raríssimos seriam intimoratos como Paulo a ponto de simplesmente se reduzir por meio de uma pergunta: “Que queres que eu faça?” Fora isso, uma multidão de indiferentes.

Por que parece tão estranho e distante das nossas viagens esse suposto rolé de Jesus? Um simples motivo. O Nazareno não tira férias. Todo deslocamento é a trabalho. Tem Ele a graça dos Espíritos Superiores que é a de ser Feliz junto ao Pai por poder trabalhar no Cosmos com Amor constantemente por todos nós. A viagem do Cristo é com os nossos corações, a fim de auxiliar na religação com Deus.

Lembremos que nós estamos também em viagem a serviço do nosso melhoramento. Assim, meditemos sobre os sentimentos e conhecimentos que alimentam nosso espírito e integram nossa bagagem. Todo o resto é despachado e se perde no caminho. Visitemos o nosso próprio museu com o firme propósito de encontrar pontos falhos superáveis nesta vida. A gente nem se conhece tão bem assim. Na publicidade, divulguemos a Boa Nova pelas nossas atitudes mais que pelo que dizemos: “a palavra ensina, o exemplo arrasta”. Tracemos um roteiro voltado para a nossa melhor versão, que necessariamente, passa pelo contato com o seu irmão. Família, amigos, colegas de trabalho, desconhecidos…Cada interação é uma viagem.

 

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