Na bolsa de valores a gente consegue ter uma ideia o seu desempenho ao analisar quanto de grana você fez frente ao montante que você tinha. De 1 para 2 é algo bem diferente em relação a de 100 para 101.

Em um colégio, um professor sabe se o aluno melhorou ao comparar a evolução em suas notas. Não dá para pegar uma prova avulsa com a nota 7,8 e dizer: “É…parece que finalmente Fulano resolveu estudar”. Podia ser um nerd em franco descenso por conta de uma primeira paixão, novo jogo, distração, sei lá.

Ninguém alinhado nas ideias chega a um corredor qualquer no parque e diz: “Tá fraco… esse ritmo de 6min/Km não é o seu melhor, faz os próximos 3 km, melhor que os últimos 4 km para melhorar esse tempo aí.” O cara pode estar vindo da partida de futebol e só deu uma corrida para tomar uma água de coco. Você nem reparou que ele estava de chuteira e fica cogitando passado, presente e futuro do boleiro.

Os exemplos mundanos acima ilustram que a avaliação do desempenho necessariamente perpassa por algumas variáveis: Seu Ponto Inicial; Seu Ponto Final e; Seu Meio de Transporte. São essas as que quero expor aqui.

Em nossas passagens pela Terra, agora numa pegada menos material, é a mesma coisa. Planeja-se a saída de um Ponto A para um Ponto B segundo o emprego de ferramentas que nos serão acessíveis e também daquelas que a gente vai atrás. Isso não me parece tão claro já que há pelo menos um deslize muito comum nesse contexto.

Só enxergamos o ponto de chegada (e nem tão bem assim). Frases como “Fulano aproveitou essa encarnação muito bem” ou “Siclano se complicou todinho, desperdiçou toda uma vida”, não fazem o menor sentido. Quando falamos isso, somos o “desalinhado das ideias” que forçou uma conversa com alguém trotando no parque. Simplesmente não temos todas as informações sobre o ponto de partida (nem o pobre do pseudo-corredor-boleiro as têm) e, raramente temos dados suficientes sobre os recursos disponíveis a cada um. Como é que eu vou avaliar isso? Não vou. É tudo achismo de nossa parte. Cristo sabia disso e falou pra gente ficar ligado na trave no nosso olho. Madre Tereza também sacou isso de maneira genial ao ensinar que “os que julgam não tem tempo para amar”. Até porque deve dar um trabalho insano querer formular esse naipe de julgamento diante de tão parcas evidências. Algo como um desempenho pior que os institutos de pesquisa eleitorais 😉

Já o julgamento pela consciência tende a ser algo mais sensato. E consciência (que não está na prateleira nem na timeline do Facebook) cada um tem a sua . Daí que algo como a razão (comparação) entre o que você se comprometeu a melhorar e o que de fato você melhorou, faria mais sentido. Cumpriu à risca? Implorou chorando (não, não estou exagerando aqui) que sairia do estágio A para o estágio C? Parou no meio do caminho em B? Analisa-se tudo com base no ponto de partida que você tinha, onde chegou e onde poderia chegar.

Como há uma alta probabilidade de você conviver mais consigo do que com os outros, se for pra julgar alguém, olhe pra si mesmo. É mais jogo. É mais lógico. Seu nível de esforço interno vai lhe indicar quão longe você já está (ou não) do seu ponto de partida. Aqui vale lembrar Kardec, que numa frase tão intensa quanto clara comentou que o verdadeiro espírita é aquele que emprega todos os esforços para vencer suas más inclinações. E esse emprego é contínuo porque Trabalho, que é Lei Divina (Deus nos cercou direitinho com suas Leis rsrs), deve ser utilizado até o limite das forças. Esse é o patamar do sono dos justos. Encare que o Criador sempre lhe dará as condições de buscar novas Zonas de DESconforto na cota do seu merecimento. Sim, porque o que era superação ontem, hoje pode ser velocidade de cruzeiro.

Concentre-se em se avaliar. Santo Agostinho deu a dica na resposta a pergunta 919 de O Livro dos Espíritos. Você é livre para teimar, mas correrá o sério risco de analisar tudo errado e ainda cansar sua vista que ficará enviesada e inútil.

Um comentário em “O juiz vesgo

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