Há certas características difíceis de serem encontradas numa só pessoa.

Pense por exemplo quantos ateus que aceitam astrologia você conhece. Aproveitando esse embalo, procure na lista de amigos e conhecidos, bem como conhecidos de conhecidos, alguém que defenda a astrologia com unhas e dentes e que consiga conversar de astronomia com algum rigor por mais de dez minutos. Conjunto vazio? Talvez não haja somente duas formas de contemplar o céu.

Vasculhe no seu círculo social algum servidor público notadamente reconhecido pelo seu potencial de ser otimista e de não reclamar ou se indignar de forma inútil. Seriam as instituições públicas muros das lamentações?

Garimpe nas suas redes sociais quanto à existência de alguém que seja expositor de monoideias (radical pra qualquer assunto) que nunca tenha postado nada que insinuasse uma remoção de “amigos” com pensamentos destoantes. O nome é rede social ou facção de X ou Y?

Imagine se consegue encontrar alguma memória referente a alguém que se acha mais do que é e que demonstre facilidade de expor as três últimas conversas em que se expressou equivocadamente. Como se entrelaçariam humildade e sabedoria?

Andando nos corredores universitários, será que há algum estudante de serviço social que considere Marx ultrapassado? Mais ainda, existirá algum engenheiro que não se alinhe à meritocracia? Será que sempre estudaram as mesmas coisas da mesma forma?

Finalizando, onde estariam os evangélicos que disseminam a ideia da salvação pela caridade (amor ao próximo) e não pela “localidade” e intensidade da fé? De forma correlata, ainda no terreno religioso, quantos espíritas há que verdadeiramente não se postem como sábios diante dos profitentes de outras religiões? Seguir a palavra de Cristo e estudá-la não nos faria melhores? A religião é dos homens, e, como tudo que vem do homem, tem falhas.

Quantos outros filtros imponderáveis não devem existir por aí? A dificuldade em identificar as pessoas que se encaixam nesses supostos antagonismos é elegantemente comentada nesta assertiva de F. Scott Fitzgerald: “O teste de uma inteligência de primeira classe é a habilidade de sustentar na mente duas ideias opostas ao mesmo tempo e ainda manter a capacidade de funcionar.”

Portanto, se você tiver a oportunidade de se deparar com essas pessoas inusitadas, certifique-se de que não sejam mentes simplesmente incoerentes. Tendo êxito, envide todos os esforços para trocar ideia com quem já é de outra classe e, quem sabe assim, você refinará os filtros que lhe caracterizam.

Por fim, aos espíritas e interessados no espiritismo vale devassar o Pentateuco (cinco obras básicas da Doutrina), pois seu codificador, sendo um cientista que mergulhou na temática espiritualista, é dos melhores exemplos do improvável que certamente muita diferença fez.

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