É indiscutível  o momento delicado pelo qual passa a indústria da construção civil noBrasil. Não acrescentarei nada quanto a isso neste texto.

Contudo, uma armadilha comum é perder um tempo precioso proliferando cenários nada promissores em vez de pensar o que se pode fazer de diferente para se alcançar resultados novos e melhores. O período de constatação de um problema pode facilmente chegar a um estágio de saturação em nada produtivo ao país.

Acabo aqui a minha própria constatação a fim de não ser nem inócuo, nem contraditório.

Vulgarmente chamada de engenharia de “obra pronta”, o ramo das perícias, também chamado de “Engenharia Diagnóstica”, tem vivenciado um crescimento na oferta de sua força de trabalho. Isso é facilmente observado pela multiplicação de cursos de pós-graduação e migração de profissionais/empresas do setor de construção, entre outros fatores.

Vários elementos criaram um robusto lastro para essa frente de atuação dos engenheiros: avanços na legislação correlata que tem exigido inspeções prediais em alguns estados, conscientização crescente de síndicos e administradoras de condomínio diante de inúmeros sinistros, os quais têm sensibilizado a opinião pública para a importância e conhecimento de temas como manutenção, desempenho, durabilidade e vida útil. Por fim, e em menor escala, as próprias construtoras que perceberam na contratação externa de peritos uma forma de agregar credibilidade, transparência e imparcialidade quando se intenta atestar que o produto vendido corresponde ao produto entregue.

Para aproveitar esse “trem” de oportunidades é importante que se entenda tratar-se de uma viagem cujo roteiro é preparado com antecedência e dedicação. Logo, a formação diferenciada do perito é de vital importância para que você não fique a todo instante desorientado pelo caminho. E nesse aspecto eu destacaria além dos tradicionais cursos na área de perícias, formações na área da exposição do trabalho, tanto na forma escrita quanto oral. Ou seja, procure escrever melhor e falar melhor. Em muita ocasiões a Engenharia Diagnóstica é sacrificada pela incapacidade de se comunicar adequadamente. Assim, o profissional entra no mercado, mas não consegue permanecer.

Mais ainda, é preciso entender que tal “trem” comporta vários outros tripulantes com os quais você terá a necessidade de interagir. Engenheiros civis, mecânicos, eletricistas, arquitetos e técnicos especializados podem e devem integrar a sua equipe. Pressionados pela recente Norma de Desempenho (NBR 15575/2013), o meio técnico deve assimilar a questão da especialização como um destino comum.

Outro ponto, que comento apenas de modo superficial para suscitar o interesse dos mais curiosos, reside na tentativa de procurar nichos de mercado com potencial de monetização por meio de ferramentas de programação. Para tanto, deve-se recorrer ao tripé: capacidade excedente, plataforma de criação e pessoas, o que foi didaticamente destacado no livro “Economia Compartilhada” de Robin Chase…

Enfim, o “estar pronto” requer uma “fundação” de respeito, mas é indispensável esforço contínuo para que edifiquemos uma superestrutura compatível com as necessidades do mercado que ainda demandará os serviços de um perito capacitado em obras de infraestrutura e obras públicas. Estejamos atentos.

Um comentário em “Engenharia de “obra pronta” pra quem estiver pronto

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