Eita curiosidade, neh?? Tem gente que começa a ler textos com títulos interrogativos já formulando sua própria resposta sem nem acabar o primeiro parágrafo. Tentemos seguir a regra das conversas mais civilizadas que existem: [A] fala. [B] ouve. [B] pensa. [B] responde. Eu sei que é complicado… Antes então de inferir uma eventual associação da personalidade marcante de Cristo com estudos psicológicos entre canhotos e destros nos esforcemos para ver qual o meu real intento com o título desse texto.

Debateremos um pouco sobre o exagero em se tentar encaixar a filosofia do nosso Irmão em questões críveis aqui para esse mundo de provas e expiações. Quem sabe no final acabemos por descobrir com que mão JC escreveu no chão no episódio da adúltera. Para isso, preciso discorrer, de forma exemplificativa, sobre como a nossa régua é bem tacanha para aferir Jesus. Como se diz por aí: entendedores entenderão.

Seguindo a provocação, focarei aqui em uma pergunta: JC foi (mais) socialista ou (mais) capitalista? Pense. O oráculo mundano do Google traria textos calcados em alicerces desde “a cada um segundo as suas obras” e a parábola dos talentos, até a metáfora da complicação que é para um rico entrar no Reino dos Céus ou a dicotomia entre servir a Deus e a Mamon. Ou seja, segundo uma abordagem que parte da premissa de que só há duas possibilidades para a política econômica do “presidente Jesus Cristo”, é bem fácil escrever algo que faça sentido, para qualquer um dos dois lados. Mas quem já pensou em alguma coisa além da polarização Soc./Cap.?

Um monte de gente. Só que essa galera está mudando o mundo fazendo e não dissertando sobre como essas novas abordagens se encaixariam ou não no way of life do Cordeiro de Deus. Vamos ter um curiosidade produtiva? Pesquise sobre Robin Chase e fuja da armadilha do viés da confirmação que escurece nossa massa cinzenta. Nesse link1 você já vai captar a essência do que estou insinuando.

Capitalismo compartilhado, Empreendedorismo Social, Economia Verde são apenas três dos fenômenos absurdamente explícitos que são omitidos nessas discussões acanhadas se JC era vermelhinho ou azul, esquerda ou direita, foice ou moedas na mão. Focarei aqui só no primeiro tema por questões de concisão.

Ponto um. Em O Livro dos Espíritos (O.L.E), Kardec questiona sobre a pertinência da igualdade buscada pelas vias socialistas (vide perguntas 808 em diante). Os espíritos assentam polidamente tratar-se de uma ideia sem noção porque sempre haveria a desigualdade decorrente do merecimento, ou seja, a igualdade total seria um equilíbrio instável, dado que as pessoas se esforçam em distintos níveis. É até constrangedor para quem perfilha esses ideais ler esse trecho. Contudo, à época (segunda metade do século XIX), estes pensamentos estavam pululando e fazia o maior sentido questionar isso. Por outro lado, não há uma pergunta correlata nessa mesma obra (de maneira tão explícita) para o Capitalismo. Ao mesmo tempo, tem um bocado de coisa ruim no Capitalismo questionada hoje em dia.

Pensemos novamente. No teor das respostas apresentadas, a Falange do Espírito da Verdade aponta que o problema é o egoísmo. Simples assim. Ou seja, a problemática é personalizada ao nível do indivíduo. Pouco importa o sistema. Se aquela criancinha se tornar um adulto egoísta não vai ter jeito, independente da ideologia econômica. Garimpe brilhantes abordagens com Leon Dennis (O problema do Ser do Destino e da Dor1) e Viana de Carvalho (Atualidade do Pensamento Espírita) a fim de melhor apreender este ponto.

Então, no mundo real o Socialismo é utopia (segundo O.L.E). Por outro lado, o Capitalismo tem uma de suas bandeiras teóricas fundamentadas na competitividade. Além disso, de forma rasa e só para apimentar, a teoria dos jogos (aplicada essencialmente a mercados oligopolistas), que tenta explicar a mão invisível do mercado toma por premissa que todos os tomadores de decisão são egoístas. Agora ficou embaraçoso para os liberais do mercado, até porque a palavra “egoísmo” é uma das mais repetidas em O.L.E, sempre, é claro, num sentido de reprovação. Vai ver que é por isso que o Dilema do Prisioneiro apresenta um resultado tão real quanto frustrante aos competidores.

É…se você realmente acredita somente nessas duas opções comece a pensar num plano C para sua reforma íntima no quesito posicionamento da “Economia de um Mundo Regenerado”. Aliás, para quem é mais cético, o matemático Jordan Ellenber provoca de forma bem instigante em “O Poder do Pensamento Matemático” que não haveria uma correlação linear entre prosperidade e tamanho do Estado (uma das características dissonantes entre capitalistas e socialistas). Os cálculos seriam bem mais complexos. Na melhor das hipóteses, uma função quadrática. Nesse link, em um aperitivo desse livro incrível, você pode devassar melhor esse apontamento.

Continue pensando. Com uma hora de estudo sobre quaisquer dos três temas que comentei acima e você perceberá facilmente que a competição está migrando para o cooperação. Palavrinha essa mais a cara de Jesus do que qualquer outra presente nos textos bipolares aqui criticados. Basta lembrar da forma como o Messias resumiu os dez mandamentos, indicando para gente só buscar fazer ao próximo o que a gente desejasse fosse feito para nós.

Esmiuçando esse processo, a já citada Robin Chase em seu livro “Economia Compartilhada” explica sobre os componentes desse mercado de cooperação e o porquê dele estar minando o tradicional mercado de competição entre instituições. Alex Pentland, uma sumidade em Big Data, conseguiu medir com validade estatística que há maiores lucros, geração de ideias, saúde, melhor planejamento das cidades, etc. Enfim, que ficamos mais perto de um lugar melhor quando cooperamos mesmo diante de um ambiente competitivo (você encontra o caminho para analisar tudo isso aqui). Claro que não encerro o assunto com essas menções, por mais credibilidade que elas possam ter. Todavia, são evidências muito fortes e inspiradoras que sinalizam a nossa necessidade de novos termos, conceitos e, principalmente atitudes para mais perto ficarmos do Cristo.

Algumas vezes, as perguntas sem respostas completas pelo menos nos levam para longe das respostas completamente sem noção. Você acha mesmo que nos Mundos Superiores as opções sejam entre Socialismo e Capitalismo exatamente do jeito que nós conhecemos? Penso, humildemente, que “O Filho de Deus” está literalmente a anos-luz destes conceitos. E, mais importante que isso, não é Ele que vai se encaixar no que acreditamos, mas o oposto.

Para encerrar, lembre com gratidão que o seu cérebro (esse sim!) tem apenas dois hemisférios, mas foi feito para alcançar um infinidade de ideias. Nessa busca, não olvide a valiosa dica do Missionário de Assis: “compreender mais do que ser compreendido.” Coopere com o mundo para cooperar consigo mesmo. Priorize os que fazem aos que discursam. Sempre. No final das contas, você vai ganhar um high five de Jesus te cumprimentando pela missão cumprida. Aí você sentirá a canhota ou a destra do espírito mais iluminado que já passou por aqui. Só não pode ficar no vácuo…

3 comentários em “Jesus era canhoto?

  1. Sempre que esse tema vem a tona eu lembro de Muhammad Yunus, conhecido pela sua obra “O banqueiro dos pobres” e nobel da paz.

    E também dessa TED Talk sobre um grande empresário que diz porque ele não é a filantropia que vai mudar o mundo:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s